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André Carneiro, mago quântico da palavra.

 

ANDRÉ CARNEIRO,

mago quântico da palavra.

Texto de PAULO URBAN, publicado na Revista Planeta, edição nº 348, setembro, 2001

 PAULO URBAN é médico psiquiatra e Psicoterapeuta do Encantamento.

André Carneiro - foto: Sophia Pedro

André Carneiro - foto: Sophia Pedro

“Combino mecânica quântica e a gravidade./Sigo a partícula do espaço-tempo,/descubro a hora imaginária./Heisenberg me olha cheio de incertezas./ Que barro foi usado na fabricação da carne?// Jogo o tarô das palavras molhadas em suor e lágrimas./A alma respira oxigênio./Vírus e micróbios/ sonham com sangue e a carne do homem.”

Werner Heisenberg1

Werner Heisenberg (1901-1976)

São versos do poema “Heisenberg me olha”, de André Carneiro, dedicado ao físico alemão Werner Heisenberg, um dos pais da teoria quântica, que, desde a década de 1920, vem revolucionando absurdamente com seus modelos e perguntas a visão da ciência clássica, ainda persistente, acerca do Universo.

Heisenberg, admirado diante dos paradoxos alcançados pela nova física, percebeu que se mirasse o telescópio no átomo, compreenderia o segredo das estrelas. Ele enuncia o Princípio da Incerteza que afirma ser “impossível precisar a posição e o momentum (massa X velocidade) das partículas subatômicas; quanto mais conheçamos seu momentum, menos saberemos qual a sua posição e vice-versa”. Momentum e posição só se revelam dentro de uma relação necessária de incertezas.

Atomo1.0.2

E o mundo atômico nos surge imponderável, repleto de fenômenos dos quais só podemos imaginar as probabilidades de ocorrência. Foram identificados os léptons, os mésons e os bárions, com suas subclasses e respectivas antipartículas, e, até o final do século XX, mais de 200 entidades subatômicas estavam catalogadas. Penetrar no santuário atômico obrigou-nos a repensar a natureza; trouxe à ciência indagações cosmogônicas semelhantes às dos filósofos pré-socráticos, e desembocou inevitavelmente na cascata de perguntas que leva o homem a conhecer mais profundamente sua atribulada existência.

Exatamente isso é o que faz André Carneiro ao longo de sua extensa produção, tomada por dilemas quânticos, atenta às possibilidades parapsicológicas desde a publicação de seu primeiro livro de poesias Ângulo e Face, 1949, editado por Cassiano Ricardo. Em “Ondas Quânticas“, expressa: O Universo só existe quando observo./(…)Penso, algo atravessa/e molda um fato./O espelho me inventa,/a ruga não sou eu quem traço”.// Comprimo o corpo de átomos,/entro nos túneis do mundo/e passo./Você sorri,/não acredita no inseto dourado/quando eu pouso na face.// Energias quânticas modelam seios e braços/.”

André teve inicialmente seu nome incluído na terceira geração modernista de 1945. Desconhecida do grande público brasileiro, ainda que traduzida em dezenas de línguas, sua obra, prosa ou poesia, tem sido objeto de algumas teses acadêmicas, uma das quais foi defendida em Tucson, Arizona, em 1976. Privilégio meu, tive a oportunidade de assistir à defesa de O Estilo de André Carneiro, em 1996, na Unesp, campus de Assis (SP). “Fazer arte contensa, eis a ambição de Carneiro, cuja obra estabelece a continuidade modelar do modernismo, das influências de 22 e 30, passando pela Geração de 45 até atingir plena autonomia entre os anos 60 e 90 como uma das mais inventivas da modernidade brasileira”, explica-nos o professor de literatura Oswaldo Copertino Duarte, autor da tese.

Também uma biografia de André vem sendo diligentemente pesquisada pelo psicanalista e jornalista Marcial Oliveira, que exclama: “O que crescentemente me surpreendeu, à medida que avançava na leitura e na vivência com a pessoa de André Carneiro, é como um homem de tão vasta obra e talento possa ser um quase desconhecido mesmo nas camadas que se dizem cultas. Que estranho país é o Brasil!”

Oswald de Andrade (1890-1954)

Oswald de Andrade (1890-1954)

André iniciou-se como crítico político em 1943 nos jornais da região de Atibaia (SP), sua cidade natal. Seus textos despertaram o interesse do poeta Domingos Carvalho Silva, que foi visitá-lo. Cumprimentando o jovem escritor, advertiu-o para que tomasse cuidado com a ditadura Vargas que acabara de entregar aos nazistas e à morte a mulher judia de Luís Carlos Prestes. E pediu-lhe artigos sobre arte que, publicados no Correio Paulistano, repercutiram entre os intelectuais. 

Pagu (1910-1962)

Pagu (1910-1962)

Em abril de 1948, promoveu-se o 1º Congresso Paulista de Poesia, que cunharia o termo Geração de 45 para aquela classe reunida de escritores e críticos: Sérgio Milliet, Antônio Cândido, Péricles da Silva Ramos, José Geraldo Vieira e outros. Patrícia Galvão, a Pagu, que já fora casada com Oswald, e ele próprio, faziam-se presentes. André Carneiro estava à mesa como representante do Interior. A ausência de Mário de Andrade, recentemente falecido, honrosamente foi lembrada. Não pretendiam criar polêmica com o movimento de 22, isto é mito; estavam sim reunidos para dar continuidade e firmar os passos da nova tendência literária. André mantinha-se calado diante daquelas “vacas sagradas”, ele conta. Após o último dos grandes ter falado, pôs-se a defender sua tese, ao fim da qual Oswald pediu palavra. Imaginou que por suas ironias de agudo senso seria escorraçado. Poucos ousavam enfrentar Oswald, cuja elegante verve transformava em verdade tudo quanto dissesse ou quisesse. “Se a burrice pode ter sua assembléia, porque não podem os homens inteligentes aqui se reunir?”, começou assim, e lançou sobre Carneiro uma carrada de elogios. Tornaram-se grandes amigos. Oswald passou a visitá-lo regularmente. André frisa que o nome se pronuncia oswálde, e não ôswald como querem perfumar os literatos. A todos que o chamavam na pronúncia inglesa, Oswald corrigia veementemente. Suas oito ex-mulheres, seus filhos, todos o chamavam de oswálde.   

André lança em 49 seu próprio jornal em Atibaia, Tentativa. O primeiro número, apresentado por Oswald de Andrade, garante imediato sucesso. Oswald publicaria aí vários artigos. Aldemir Martins o ilustra; José Lins do Rego, Murilo Mendes, Otto Maria Carpeaux, Graciliano Ramos e Vinícius de Moraes são alguns que, de suas páginas, tomam parte. Logo surgem correspondentes enviando-lhe material de Paris, Lisboa, Buenos Aires e outras capitais da cultura.A.Carneiro2.Hipnose.0.15 

Em 1950, atualizado com as pesquisas de J.B. Rhine na Universidade de Duke, Carolina do Norte, E.U.A., Carneiro começa a estudar e a divulgar a parapsicologia no Brasil, sendo um dos precursores dessa ciência no País. Estuda hipnose, praticando-a cientificamente. Escreveria anos mais tarde dois livros a respeito, elogiados pelo erudito psiquiatra Dr. Carol Sonenreich, meu mestre, a quem muito devo, particularmente. André faz palestras em Paris sobre arte, cinema e hipnose, recebe Médailie d’Argent da Sociéte D’Education et Encouragement, de Paris, e é traduzido (Elegie Noturne) pela revista francesa Revue Moderne.

Um ano depois é feito Membre D’Honneur da Ácademie Ansaldi de Paris e, década afora, seus prêmios multiplicam-se pelo Brasil, Itália, Holanda e outros países. Cineasta, filma, entre outros, Solidão, premiado na Inglaterra em 1952, e escreve o roteiro de Os Pereyras, premiado em São Paulo, em 54. Recebe, por seu conto Começo do Fim o Prêmio Machado de Assis e tem seu nome incluído no Dicionário da Literatura Brasileira de Raimundo de Menezes, também na Enciclopédia Delta Larousse, 4º vol. Publica em 1965 o Diário da Nave Perdida, literatura fantástica de fazer inveja aos amantes de Jorge Luís Borges. Em 66, edita Espaçopleno, poesias, vencedor do concurso Alphonsus de Guimarães. Em 1967 escreve Introdução ao Estudo da Ficção Científica, publicação hoje esgotada, um cult entre os aficionados do gênero. Contos desta época seriam, anos mais tarde, transformados em filme. O Mudo, premiado no Brasil e Espanha, é Alguém, com Nuno Leal Maia e Éwerton de Castro, direção Júlio Xavier da Silveira, versão em vídeo pela Videoban. Outro conto, O Homem que Hipnotizava, é produzido pela Globo como Mergulho no Espelho, com Marcelo Picchi.

A.Carneiro1Eu Escapo.0.3

 André enfrentaria ainda sua segunda ditadura no Brasil. Esta para ele muito mais grave, pois sua cabeça esteve a prêmio tanto quanto sua arte. Intimamente ligado ao grupo que se apossou do cofre de Adhemar de Barros, a famosa “caixinha”, e que seqüestrou o embaixador alemão, depois trocado pela liberdade de presos políticos, dentre os quais figurava Fernando Gabeira, André viu-se obrigado a viver ora fugindo, ora escondido num quarto secreto de sua casa em Atibaia. Raspou o bigode, trocou seu nome para Augusto, depois Joaquim, e ocultou-se na casa do espanhol Lafoz, ativista político condenado à morte duas vezes em seu país, que vivia clandestinamente no Brasil. Os difíceis anos rebeldes produziram poesias como Eu Escapo:

“Não tenho gravata/O último bigode raspei em 1o de abril de 64./Darcy menina, inventora da mini-saia/ficou com as crianças, eu fugi/na subversiva perua Volksvagem.”

Tudo verdade! Darcy era a babá que já usava mini-saia muito antes da moda aparecer em Londres, e ficou cuidando dos filhos pequenos de André, enquanto ele tentava salvar o pescoço. Décadas depois, o tema lhe renderia Estado de Alma:

“Encontrei-me com Kafka/nos corredores da Justiça.//(…)O que faço nesta manhã de maio?/(certo é manhã de abril)/mas a poesia é relatório cifrado/para alienígenas no espaço,/a verdade é um susto atrás das letras./É bom meu estado de alma./O sol resplandece nos buracos ozônicos,/tenho minha amiga barata/a conversar pelas antenas.”

Piscina Livre.0.1

Driblando a inteligência do Estado, André consegue publicar textos na Argentina, Bulgária, Rússia, Espanha, França, Itália, E.U.A., e participa de antologias ao lado de Anton Chekthov, Aldous Huxley, Gabriela Mistral, Berthold Brechet e outros. Com a abertura política, volta a publicar no Brasil. Seu livro de ficção Piscina Livre, ed. Moderna, 1980, traz uma trama erótica situada num mundo cibernético futurista e indefinido. Birds Flower.0.1A obra repercutiu no exterior, sobretudo na Suécia. Anos antes, a Putnam, uma das principais editoras dos E.U.A., selecionando os melhores do mundo em ficção científica, edita The Definitive Year’s Best Selection (1973), no qual encontramos contos de André Carneiro publicados ao lado de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E Carl Sagan parece ter-se inspirado em idéias suas na introdução de Os Dragões do Éden (1977). Alemanha, Argentina, Espanha e Japão são apenas outros lugares onde sua ficção fantástico-realista encontra sucesso. Em 1988 publica Pássaros Florescem, ed. Scipione, Prêmio Bienal Nestlé de Poesia, cujas poesias estão traduzidas para o inglês pelo lingüista norte-americano Leo Barrow.

Amorquia.0.1

Na prosa científica, publica em 1991, Amorquia, ed. Zenith, cujo enredo explora uma sociedade totalitária evoluída tecnologicamente, onde o amor é algo extraordinariamente livre, e a morte, rara ocorrência do acaso. Trata-se de um inteligente contraponto tanto ao Admirável Mundo Novo, de Huxley, quanto ao 1984 de George Orwell, permeado, entretanto, com o requinte da angústia existencial de Camus; os três citados, diga-se de passagem, fortes influências no estilo carneiriano.

A Máquina de Hyerónimus.0.1

Mais recentemente, em 1997, a Universidade Federal de São Carlos (SP) escolheu Carneiro para abrir a coleção Visões, de literatura fantástica. O conto título do livro, A Máquina de Hyerônimus, é pura parapsicologia e mecânica quântica combinadas, marcas registradas de sua criação: um homem constrói uma misteriosa máquina capaz de realizar desejos, mas acaba pego na situação em que a cobra morde o próprio rabo, pois logo se vê enredado na trama pelos desejos de outras duas mulheres que compartilham de um excitante triângulo amoroso, abrindo espaço para um questionamento existencial mais severo.

Seus poemas trazem esse mesmo caráter. Por meio de versos articulados em estilo fragmentário, que atiram em nossas caras as contradições da vida, o poeta contrapõe ao progresso cibernético a precária condição humana, repleta de angústias indefinidas que nunca sobram resolvidas, apesar da sedução tecnológica que prega a virtualidade de um mundo sem problemas. Sua poesia é um convite à introspecção e à análise espiritualizada de nós mesmos. Vejamos trecho de seu Retrato da Terra, de Espaçopleno, 1966:

“Parapsicologia legalizou fantasmas,/futuro se tornou presente./Discos telegrafam que não estamos sós./E o livre arbítrio,/eternidade do céu e do inferno?// Telequinésia, isótopos, biônica,/cartas Zenner,/cibernética./Radar acaricia/uma neblina fria/no corpo de Vênus./Crianças brincam de faz-de-conta,/telescópios provocam as estrelas.//(…) Ano dois mil/fim do mundo./E os olhos/claros, frios,/do microscópio?// Escrevo um poema./Na última edição,/crime do punhal,/previsão, tempo duvidoso.// À noite o sono nos recarrega./Manhã, entre milhões,/calçamos os sapatos,/recomeçamos as tarefas.” 

Diário Nave Perdida.0.2

Diário da Nave Perdida, raro exemplar que recebi das mãos do mestre, com fotogravura e dedicatória manuscrita na capa

Toda a obra carneiriana constitui uma parábola sobre o homem, o mundo e a História. Sua poesia esbanja termos científicos e metáforas inauditas, mesclando-os a um discurso híbrido, polivalente, capaz de assombrar o leitor com a realidade dos universos paralelos, com as descobertas parapsicológicas, para fazê-lo refletir melhor acerca do rumo que toma para si a impaciente humanidade. André rouba termos do hermetismo, da alquimia, e esteticamente os amarra às nossas agruras pessoais. Seus poemas são móbiles que circulam e se transformam diante dos olhos do leitor, que encontrará por certo, no conjunto de seus textos, a ordem subjacente por detrás do aparente caos quântico de seus (uni)versos.   

Antecipemos seu poema Quântica Realidade, do ainda inédito Asas da Sobrevivência

Na pequena morte
ressuscito o mundo estranho
da minha cabeça.

Sou o mandarim no sonho da borboleta.
Vivo a irrealidade dos fatos
sem a memória acordada.

Neste próximo milênio
faço 15 bilhões de anos.
Ainda tenho na ponta do dedo
um átomo girando do big-bang.

A cobra,
desesperada
com a falta dos braços,
abraça Eva com o corpo inteiro.

Os avós peixes não se lembram
quando saíram da água.
Não há mais opostos:
real e imaginário,
passado e futuro,
vida e morte.

As palavras caíram
no lago global do esquecimento,
a quântica relatividade dança conosco
no espaço curvo deste planeta redondo.

Numa de suas entrevistas para a tese do Prof. Duarte, confessou: “O poeta lida com a surpresa, o arbitrário, o paradoxal. Ele é uma espécie de cientista louco. Mistura tudo, e quando explode, é uma maravilha”. Em outro livro inédito, Virtual Realidade, compõe: “O segredo da vida nem lemingues decifram,/escrevo poesia,/branca bengala do cego,/junto hieróglifos no labirinto.”  André Carneiro.0.2 

Se não pode, porém, revelar-nos o segredo da vida, que nem mesmo a melhor poesia alcança, o poeta nos oferece a pista para que entendamos quem ele é e qual o sentido de sua obra. De fato! Que país estranho o nosso, ratifiquemos seu biógrafo que se queixa desse seu quase anonimato, já que o mago da palavra encerra assim um de seus poemas: “No fim da página sou eu o eco!” Perceba-se a poesia de sua voz por trás dessas sábias quânticas palavras!

4 Comments

  1. Estou maravilhada, vou dormir com toda essa sabedoria, essa magia,
    essa coisa que me encanta há décadas, essa energia linda, viva, labareda
    poética.

    Amanhã vou acordar e vou ler tudo novamente.
    Sei que vou sentir diferente, vou sentir mais, vou penetrar no quarto secreto
    do mestre, do mago,
    André Carneiro parece um sonho.

    E eu tenho uma admiração que não sei explicar direito, por ti, Paulo Urban.

  2. “O poeta lida com a surpresa, o arbitrário, o paradoxal. Ele é uma espécie de cientista louco. Mistura tudo, e quando explode, é uma maravilha”. Em outro livro inédito, Virtual Realidade, compõe: “O segredo da vida nem lemingues decifram,/escrevo poesia,/branca bengala do cego,/junto hieróglifos no labirinto.”
    Imagine! Sinta! Minha nossa… Preciso ir vê-lo em Curitiba, o quanto antes.

  3. Liana Vivekananda disse:

    “sou um mandarim no sonho da borboleta”…
    Apenas os sons das palavras já nos remetem ao colorido envolvente do texto. Dá para sentir o vento passando com suas essências, os sons distantes de sinos de cristal.
    André Carneiro é um símbolo vivo do que a verdadeira literatura pode ser, não importa se brasileira, estrangeira, venusiana. Como ele próprio disse, sabe cantar o cântico dos índios e também dos extraterrestres.

  4. Nelson Salles disse:

    Conheci André Carneiro pessoalmente em abril de 2009, um pouco constrangido por estar apresentando um texto em sua oficina literária e quase não ter conhecimento da extensa obra daquele que seus colegas chamavam de “mestre”. Percebi logo que não estava apenas diante de um ficcionista e poeta, mas de um ser múltiplo, de inúmeros talentos e intensa vivência, como poucos que a história registra. Mais tarde, confirmei essa primeira impressão em São Paulo, numa exposição de fotografias de A. C., reconhecendo com surpresa algumas imagens fortemente guardadas num canto da memória, sem data nem autor. O texto de Paulo Urban mostra o quanto ainda teremos que nos debruçar sobre a obra desse incansável criador, se um dia nos atrevermos a tentar compreendê-la.

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