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	<title>Amigo da Alma</title>
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		<title>Árvore dos Poemas &#8211; criação do poeta Diovvani Mendonça</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 10:22:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Personalmas/Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetextos]]></category>

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		<description><![CDATA[ÁRVORE DOS POEMAS
NOVA FLORESCÊNCIA ENTRE AS PEDRAS E AS ESTRELAS
Texto de Paulo Urban, médico psiquiatra e Psicoterapeuta do Encantamento.

E se as árvores nos dessem poemas? E se sonetos, odes e haicais brotassem de seus ramos? Se seus frutos trouxessem versos por sementes e à sua sombra viessem se sentar os amantes dos saraus, os que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #50bb44;">ÁRVORE DOS POEMAS</span></h1>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #00ff00;">NOVA FLORESCÊNCIA ENTRE AS PEDRAS E AS ESTRELAS<br />
</span><span style="color: #50bb44;">Texto de Paulo Urban, médico psiquiatra e Psicoterapeuta do Encantamento.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #50bb44;"><a rel="attachment wp-att-5428" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/arvore-dos-poemas1-3/"><img class="aligncenter size-full wp-image-5428" title="Arvore dos poemas1" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Arvore-dos-poemas12.jpg" alt="Arvore dos poemas1" width="584" height="438" /></a></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="color: #50bb44;">E se as árvores</span> </strong>nos dessem poemas? E se sonetos, odes e haicais brotassem de seus ramos? Se seus frutos trouxessem versos por sementes e à sua sombra viessem se sentar os amantes dos saraus, os que buscam inspirar o vento da poesia entre brisas-linhas frescas?</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #50bb44;"><strong>Ora, houve quem</strong></span> um dia concebesse tal idéia. Colecionador de incertezas, na pia fé de que fazer poesia é engravidar possibilidades, o moço plantou no quintal de seu sítio Ninho das Pedras, lugar poético até no nome, o rebento de um inaudito espécime da floralma brasileira. E assim foi que brotou e cresceu a primeira Árvore dos Poemas.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #50bb44;"><strong>Seu jardineiro-criador,</strong></span> mãos calejadas do lavrar palavras e domar seu violão, olhar de peão matutastuto e linguajar enraizado nas Gerais, me explicou: “Semear é assim, sô, é como magia. Primeiro tem de ter uma intenção bem forte; em seguida é o gesto de lançar sementes na certeza de que estão plenas de missão divina. E junto a gente põe uma oração pra que elas vinguem e dêem bons frutos. Não adianta fazer um buraquinho na terra, pôr a semente lá dentro e só ficar regando pra ver se nasce alguma coisa. É preciso semear com raio de luz na testa, mirar o horizonte mais distante e crer que a vida, com sua presença viva, há de florescer e de espalhar poesia pelos campos. Plantio é prova de amor, capaz inté de tirar água das pedras, pra módi molhar a alma dos homens e fazer chorar os anjos”.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"> <a rel="attachment wp-att-5438" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/cd-mandala-sonora/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5438" title="CD Mandala Sonora" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/CD-Mandala-Sonora-300x300.jpg" alt="CD Mandala Sonora" width="300" height="300" /></a><span style="color: #50bb44;"><strong>Conheci Diovvani Mendonça</strong></span> por conta de Augusto dos Anjos (1884-1914), que nos uniu em próspera amizade firmada nas entrelinhas de sua insólita Obra. Explico melhor: havia escrito fazia alguns anos um ensaio a respeito da espiritualidade presente na arte literária de Augusto, aspecto esse que escapa à maioria dos acadêmicos, que mal atentam para isso. A publicação do texto atraiu-me esse novo amigo, que àquela época se preparava para lançar <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2009/11/22/diovvani-mendonca/" target="_blank">seu primeiro CD, <em>Mandala Sonora</em></a>. O disco traz numa das faixas o soneto <em>O Lamento das Cousas</em>, uma das peças-chave do poeta paraibano, musicado por Diovvani, com arranjo de Vandder Lima. Resultado imediato foi que, encantado com o projeto musical, aceitei o convite para escrever uma crítica ao CD. <a href="http://www.artedaalma.com.br" target="_blank">Mônica Facó</a>, artista plástica, compôs especialmente uma mandala a ilustrar <em>Andarilho das Estrelas</em>, música em que Diovvani metaforiza a condição humana, comparando-nos a peregrinos a cavalo, sempre prontos a meter a espora a fim de percorrer as distâncias estelares que nos separam de nós mesmos.</p>
<div id="attachment_5453" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-5453" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/perua-willys-margarida1-3/"><img class="size-medium wp-image-5453" title="Perua Willys Margarida1" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Perua-Willys-Margarida12-300x225.jpg" alt="Margarida" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Margarida</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #50bb44;"><strong>As patentes </strong></span>afinidades literárias, nossa admiração por Augusto, o lançamento do CD, nosso papo de sarau ao telefone&#8230; tudo exigia um encontro regado a viola e poesia. Não resisti, viajei a Contagem (MG), era questão de conhecer pessoalmente o meu novo velho amigo. Num posto de gasolina deu-se o encontro: lá estava Margarida a me esperar, uma Rural Willys 73 azul, assim batizada em homenagem à falecida avó de Diovvani. E nostalgicamente fomos por estrada de terra até o Ninho das Pedras, em Esmeraldas, paradoxal morada do músico-poeta, que tanto abriga um castelo de pedras entre as árvores, como também uma autêntica casa caipira feita de adobe e sapé lá nos fundos, com fogão a lenha, galinheiro, viola presa na parede e uma branquinha das boas pra mió receber os amigos. Só estando lá pra entender.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a rel="attachment wp-att-5469" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/estradinha-c-drummond-ninho-das-pedras-2/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5469" title="Estradinha C. Drummond - Ninho das Pedras" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Estradinha-C.-Drummond-Ninho-das-Pedras1-300x225.jpg" alt="Estradinha C. Drummond - Ninho das Pedras" width="300" height="225" /></a><span style="color: #50bb44;"><strong>Quando </strong></span>o terreno foi comprado nem o corretor acreditava que havia vendido aquilo. Embora constasse da planta do condomínio rural, o lote nem estava à venda, afinal, parecia impossível construir-se qualquer coisa ali. Que maluco se interessaria em comprar um monte de pedras? Diovvani, mais pra doidivanas, ao ver as pedras, decidiu ser proprietário delas. A família temeu pelo seu tino, seus futuros vizinhos lhe fizeram piada.</p>
<div id="attachment_5459" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-5459" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/poema-c-drummond/"><img class="size-medium wp-image-5459" title="Poema - C. Drummond" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Poema-C.-Drummond-300x225.jpg" alt="Quadro-Poema a figurar na 'Estradinha Carlos Drommond', em 'Ninho das Pedras'." width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Quadro-Poema a figurar na &#39;Estradinha Carlos Drommond&#39;, em &#39;Ninho das Pedras&#39;.</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #50bb44;"><strong>Mas&#8230; se </strong></span>no meio do caminho de Drummond tinha uma pedra, tornada imortal pelas fatigadas retinas de seu olhar poético, no terreno de Mendonça havia minas delas, e não houve outro caminho senão mineiramente removê-las, na unha do peão e na calma do caipira, para em seu meio construir uma bela casa, na qual o poeta pudesse morar e namorar o seu amor, e através de suas janelas descansar num belo horizonte as suas retinas.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #50bb44;"><strong>A propósito,</strong></span> o conterrâneo de fama está homenageado logo à entrada, pois é uma rústica subida calçada de pedras, Estradinha Carlos Drummond de Andrade, que nos leva até a sede. É a Drummond também que Diovvani dedica o poema <em><span style="color: #50bb44;"><strong>Pxp=2P’s==P’D+</strong></span></em>, cujo título bem reflete a matemática de uma alma espirituosa, que foge à regra das equações:</p>
<p><span style="color: #50bb44;">No meio do caminho do poeta<br />
tinha uma pedra, tinha uma pedra.<br />
Tinha sim, uma pedra;<br />
bem no meio do caminho dele.</span></p>
<p><span style="color: #50bb44;">No meu? &#8211; Carambola! Encontrei caçambas,<br />
caminhões&#8230; Nas Minas, sou conterrâneo do homem.<br />
Mas sou cisco, pó, peão. Assumido, capiau da unha larga!<br />
Pirracento que sou, saí de Esmeraldas, passei por Betim<br />
e nasci no Belo – horizontalizei num dia doze de outubro, às dezoito horas.<br />
(Ave Maria!!! Bilu-bilu!!! NªSrª Aparecida!!! Que foguetório!!!)</span></p>
<p><span style="color: #50bb44;">Pois é, sô! Meu DNA foi desenhado lá nas Esmeraldas&#8230;<br />
Sou fio de Neuza e Vicente Mendonça (que já se foi),<br />
Neto de Mariquita e Jonas Costa, Margarida Alacoque e Geraldo Monteiro<br />
(Vendedor de leite em carroça e latão no JK, Eldorado e adjacências)</span></p>
<p><span style="color: #50bb44;">O Poeta DruMMond de Montanhas e Minérios tinha real talento!<br />
Eu? Só penso, enquanto vento.<br />
Ainda engano e roubo na rima,<br />
no tento, no lamento. Ponha sentido, inhô!</span></p>
<p><span style="color: #50bb44;">Mas; e as pedras? O que fiz com tantas?<br />
- Segui o mandamento<br />
d´aquEle outro homem,<br />
fiz minha casa sobre elas.</span></p>
<p><span style="color: #50bb44;">Construí com Vani (legítimo, caipira do Serro)<br />
um Ninho de Pedras<br />
para significar meus amigos e, claro,<br />
na-morar, com meu amor.</span></p>
<p><span style="color: #50bb44;">E que estilingue a primeira pedra,<br />
quem disser que sou plagiador.<br />
Que aproveito da fama do Poeta.<br />
Eu, mero peão, doido de pedra e por pedra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #50bb44;">Doido mess!</span> </strong>Nas mãos e no braço, Diovvani e Vani, seu caseiro, até hoje continuam revirando e recolocando as pedras do lugar, dando ao Ninho uma sempre melhor aparência. Foi assim que construíram a gruta de N. Srª. Aparecida, os laguinhos, fartos pesqueiros, os caminhos e recantos, também as escadas estreitas e o muro à medieval que cerca quase toda a casa, a conferir-lhe ar de castelo em meio às árvores. Estas, por sinal, são de toda espécie. Uma delas, especialmente, dá poesia nas quatro estações.</p>
<p><span style="color: #00ff00;"><strong>O NASCIMENTO DA PRIMEIRA ÁRVORE DOS POEMAS</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #00ff00;"><a rel="attachment wp-att-5474" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/arvore-dos-poemas3-logo/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5474" title="Arvore dos poemas3.logo" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Arvore-dos-poemas3.logo-300x174.jpg" alt="Arvore dos poemas3.logo" width="300" height="174" /></a></span><span style="color: #50bb44;"><strong>Grande-mãe </strong></span>ancestral, raízes fundas, tronco forte e de “amplos agasalhos”, como diria Augusto, sua generosa sombra cobre ampla ágora, inteirinha calçada de pedras. É a Árvore dos Poemas, núcleo do Ninho, coração do Sítio, que reúne sob sua fronde os saraus mais animados, os poetas, seresteiros, violeiros, mulheres, homens e crianças, também um gato cantor e os sete cachorros letrados de Vanusa, esposa do poeta. Bonno, que viu nascer a Árvore, era o mais humano deles.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Foi assim </strong></span>que se deu a idéia diovvânica, o moço pensou: “Eu sempre quis semear poemas pelo sítio, espalhar poesia pelos campos&#8230; mas, como fazê-lo de modo que resistissem às intempéries? Um dia, ao imprimir um poema, sei lá por qual razão, enrolei-o feito um canudo e o enfiei numa garrafa plástica vazia. O efeito me surpreendeu, o papel se desenrolou lá dentro e vi que era possível ler direitinho o que estava escrito. Então imaginei que seria fácil pregar sua tampinha no tronco da árvore, e enroscar nela a garrafa com o fruto-poema. O método é simples; nem se machucam as árvores, nem as poesias sofrem o desgaste do sol, do vento, das chuvas&#8230;” <a rel="attachment wp-att-5479" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/arvore-dos-poemas2/"><img class="alignright size-medium wp-image-5479" title="Arvore dos Poemas2" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Arvore-dos-Poemas2-300x225.jpg" alt="Arvore dos Poemas2" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>E seus </strong></span>frutos-poemas são saborosos textos de André Carneiro, Augusto dos Anjos, os Manoéis (de Barros e Bandeira), Cora Coralina, Affonso Romano de Santanna, Luís Augusto Cassas, Fabrício Carpinejar, Mário Quintana, Fernando Pessoa, Florbela Espanca&#8230; enfim, uma infinidade deles, e tem pra todo gosto, entre vivos e imortais. Até sonetos meus a Árvore já deu e, é claro, costuma dar também poemas-feras de quem traz, além do Pai Celeste (Dio), uma onça bem matreira em seu próprio nome. Ora, vejamos o que ele diz, assim, sem <span style="color: #50bb44;"><strong>Quase Ninguém Ver</strong></span><span style="color: #50bb44;">: Atrás da moita/tramo uma obra.//E para que ela seja/entre cinzas, inodora://- Eu torço&#8230;/Que nela não ouse tocar:/Augusta ou raquítica/mosca.//AVISO://Eu sou um D´&#8230;Onça/tenho aTRAÇÃO/nas quatro patas&#8230;./E mesmo sendo um dos Anjos/ou além dos quintos.//Com estandarte, depois de morto,/meu OlhO eX-queRdará/ao + vivo/- meus, direitos-tortos//.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Às vezes </strong></span>Diovvani se expressa por poemaforismos, que cortam a idéia na língua do facão: <span style="color: #50bb44;">“Na ponta de todo alfinete equilibra-se o ai de uma dor futura”</span>, diz seu <span style="color: #50bb44;"><strong>Cuidado com as Pontas Expostas</strong></span>, cujo luzente do título concorre com a lâmina textual. Outro metaforaforismo está em sua <span style="color: #50bb44;"><strong>Manhã Espreguiçadeira</strong>: Hoje acordei meio tantã!/Não com o canto do galo,/mas no primeiro estalo/do esqueleto da manhã//.</span></p>
<div id="attachment_5497" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-5497" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/diovvani-casa-caipira2/"><img class="size-medium wp-image-5497" title="Diovvani - casa caipira2" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Diovvani-casa-caipira2-300x224.jpg" alt="Diovvani - casa caipira2" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Flagrante do poeta Diovvani Mendonça, viola na mão, na casa caipira.</p></div>
<div class="mceTemp"><span style="color: #50bb44;"><strong>Em seu </strong></span>&#8220;carpe diem caipira&#8221;, por exemplo, Dio nos diz: <span style="color: #50bb44;"><strong>Meu Alvo -&gt; é a Flecha sem Alvo</strong>: Não careço dar nenhuma espiada no futuro,/nem quero “pixel” borrador de meu passado escuro.//Só quero mesmo perfurar a caixa do presente/montado na flecha imprevisível do instante//.</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Da Árvore</strong></span> avistamos lá nos fundos do terreno a casinha caipira, com palha no telhado, chão batido, paredes de barro tirado do próprio lugar onde ela se ergue, amassado nos pés e moldado a mão nos galhos e bambus entrelaçados que dão escora à tapera. Tem quarto, sala, cozinha e banheiro, mesa de madeira no alpendre para refeições e inspirações, e livros velhos de todo gênero espalhados sobre a cama, nas estantes, pela sala&#8230; literatura e muita poesia.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-5496" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/diovvani-casa-caipira1-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-5496" title="Diovvani - casa Caipira1" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Diovvani-casa-Caipira11.jpg" alt="Diovvani - casa Caipira1" width="579" height="380" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>A sensação </strong></span>é a de estarmos entrando num sebo perdido num universo paralelo, ou na casa de algum nhô letrado, escondido no anonimato dos rincões desse Brasil. Um poema de Diovvani cabe aqui, extenso que é, cito dele alguma coisa, <span style="color: #50bb44;"><strong>Sobre o Sebo:</strong></span> <span style="color: #50bb44;">O sebo é o motel por onde trafega/sem pudor/o amante do livro;//molha os dedos na ponta da língua,/acaricia a primeira página/e entrega-se completo à leitura.//Quando vejo um sebo, minhas pernas tremem,/sinto vertigem,/pois sei que lá não há nenhuma leitura virgem.//(&#8230;) Gosto mais de livros usados/porque suas frases e linhas/costuram olhares de antes/na minha comovida retina,/porque contam histórias pras duas meninas/que habitam minhas castanhas janelas.//(&#8230;) Nas prateleiras do sebo acaricio os longos cabelos da filosofia,/toco o bico do seio da poesia,/beijo a boca da prosa,/enredo-me nos galhos do sertão rosa,/ouço trinado de “passarin” no quintal de mário,/vejo esquecido e velho sábio,/descubro o reflexo além das lentes da rocha glauber no céu,/lembro que sou barro – quem dera, dos sapatos de manoel//.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><a rel="attachment wp-att-5504" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/papagaiado1/"><img class="alignleft size-full wp-image-5504" title="Papagaiado1" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Papagaiado1.jpg" alt="Papagaiado1" width="312" height="567" /></a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Mas passemos</strong></span> à outra casa, a sede do Ninho. Na estante da sala, nenhum livro, só brinquedos. São carrinhos, aviõezinhos, um helicóptero que gira as hélices, um caminhão com cordinha pra puxar, peão e bilboquê, tudo de madeira. E Dio confessa que ainda brinca com eles. Pudera! Além de ter nascido à hora da Ave Maria, em dia de Aparecida, a data o abençoou duplamente: era dia das crianças! Como essas que habitam nosso coração e que não podemos deixar morrer. E a criança interior de Diovvani vive à Manoel de Barros, maravilha-se com os pássaros que recitam o Sol, com os insetos no campo, fala com as pedras e os sapos, ilumina o silêncio das coisas. Seu <span style="color: #50bb44;"><strong>Papagaiado</strong></span> bem mostra o ar meio bobo meio sábio de quem não deixou a espontaneidade se perder com as cores do cabelo: <span style="color: #50bb44;">Não me levem demasiado a sério./É que um vento antigo,/traquina e moleque,/desses de empinar papagaio/e taquara e seda no azul,/tem despenteado o leque/no abanar meus pensamentos.//Crianças acenam/de horizontes para mim./E meus cabelos gris-alhando,/estão trançados-alegres,/nas linhas da inocência/sem cerol,/que eu pensei perdida,/nos cacos de vidro da caminhada//.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #50bb44;">Da sala,</span> </strong>uma escada nos leva para o sótão cheinho de livros. Dele, outra escada em caracol nos alça a céu aberto: é o observatório de Ninho das Pedras, com telescópio refletor encomendado ao astrônomo Bernardo Riedel e uma infinidade de estrelas encomendadas ao divino Criador que, oriundas do Ninho Cósmico, convocam-nos a ouvir o que elas dizem. Foi o que procurei fazer em minha primeira noite neste lugar, e seu maravilhoso céu de verão nos rendeu, ao sabor de um Casillero del Diablo que bebemos pela madrugada, o soneto <span style="color: #00ff00;"><strong><em>Observoratório:</em> </strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">São trilhões de anos-luz que olham pra mim;<br />
estrelas do infinito que ora choram,<br />
que em lágrimas de prata me devoram,<br />
brilhando ao telescópio em meu jardim.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Constelam-se no zênite onde moram<br />
meus anseios, minha cúspide do fim;<br />
Arcanjos cumprem lei de um Querubim,<br />
recolhem minhas dores, me consolam,</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Dedicam-me suas preces em virtude,<br />
refratam cristalinas contas cósmicas,<br />
ampliam-me a consciência e me iluminam;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Transcendo além da morte as ondas fóbicas<br />
e atento à luz dos astros que me ensinam<br />
eu rogo à noite altar que Deus me ajude!</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="color: #00ff00;"><strong>Paulo Urban<br />
</strong></span>Sob o céu plenestrelado de Ninho das Pedras; Esmeraldas (MG)<br />
Decassílabos heróicos &#8211; 29/fev/MMIV &#8211; 1h42min </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #50bb44;"><strong>E cumprindo</strong></span> o antigo adágio <em>In vino veritas</em>, Diovvani confessou-me ali mesmo seu <span style="color: #50bb44;"><strong>Polichinelo Segredo</strong>: É estranho pensar://“Pode estar morta a estrela que, emitiu a luz que agora brilha!”/Poetas são como estrelas,/arremessam ao futuro,/estilhaços-instantes,/da vida que agora (ex)pulsa//.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Estranho pensar</strong></span> que neste mundo, entre o tudo e o nada, entre pedras e estrelas, somos centelha de luz divina brilhando nossa humilde condição terrena, pequeninos diante da imensidão cósmica, engrandecidos por uma amizade desprendida, num eternintensinstante de existência&#8230; sim, somos todos andarilhos das estrelas, lidando a cada dia com as pedras do caminho.</p>
<div id="attachment_5513" class="wp-caption alignright" style="width: 387px"><a rel="attachment wp-att-5513" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/papagaiado-2-guido-boletti-www-guidoboletti-net-feito-especialmente-para-o-poema-papagaiado-diovv/"><img class="size-full wp-image-5513 " title="Papagaiado 2 Guido Boletti www.guidoboletti.net feito especialmente para o poema Papagaiado Diovv" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Papagaiado-2-Guido-Boletti-www.guidoboletti.net-feito-especialmente-para-o-poema-Papagaiado-Diovv.JPG" alt="Papagaiado 2 Guido Boletti www.guidoboletti.net feito especialmente para o poema Papagaiado Diovv" width="377" height="502" /></a><p class="wp-caption-text">Papagaiado, acrílico sobre tela, obra do renomado artista plástico Guido Boletti - www.guidoboletti.net - inspirada pelo poema homônimo de Diovvani Mendonça</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong> Inspirado em</strong></span> <em>Augúrios da Inocência</em> (1803), escrito pelo poeta inglês William Blake, que nos conclamava a ver o mundo em um grão de areia, os céus numa flor campestre, também a guardar o infinito na palma da mão e a reter a eternidade numa só hora, Augusto dos Anjos concebeu, presume-se no ano de sua morte, seu soneto <em>Ultima Visio</em>, que assim se abre: “Quando o homem, resgatado da cegueira/Vir Deus num simples grão de argila errante&#8230;”; para concluir no último terceto: “A Verdade virá das pedras mortas/E o Homem compreenderá todas as portas/Que ele ainda tem de abrir para o Infinito!//”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Diovvani</strong></span> parece ser desses que sabem escutar as pedras, posto que respondeu a seu chamado, quando lhe pediam que fossem obsessivamente reviradas até seu último segredo, algo misterioso demais pra se explicar, e que o levou a encontrar tantas estrelas em seu caminho. Talvez, por isso, tenha lhe ocorrido a luminosa idéia da Árvore dos Poemas. Estando suas raízes profundamente arraigadas na dimensão terrestre, e sua frondosa copa aberta em flores para os céus, é que podemos perceber o quanto vale um tronco seguro, do qual se ramificam tantos braços, repletos de frutos-poemas. Semear é mesmo ato de magia. E como a árvore diovvânica foi plantada na certeza, com raio de luz na testa, já chegam notícias de que seu espécime tem se espalhado e vingado por vários lugares: há outras pelo sítio, algumas nas casas dos vizinhos que antes caçoavam desse moço, e outras vêm nascendo em escolas de Minas, Rio de janeiro e São Paulo. Plantei eu mesmo uma delas em minha casa. E que se alastrem pelo mundafora suas sementes!</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #50bb44;"><strong>Sim,</strong></span> há mais poesia pelos campos, é o amor se enraizando e mais estrelas pra contar. Há, sobretudo, vida inteligente em nova florescência, uma nova consciência se formando entre as pedras e as estrelas; o que importa é engravidar possibilidades, diz Diovvani, o que vale é semear.</p>
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #00ff00;">NINHO DAS PEDRAS</span></h3>
<p style="text-align: center;">Eu caminhei por pedras no caminho<br />
buscando descobrir onde elas nascem;<br />
seguindo a intuição, qual me falassem,<br />
cheguei ao fim da estrada no seu ninho.</p>
<p style="text-align: center;">Havia ali um castelo entre a folhagem,<br />
de pedras construído inteirinho,<br />
muralhas, uma gruta e um laguinho;<br />
na torre, para o céu, uma passagem.</p>
<p style="text-align: center;">E à noite entre as estrelas ultradalvas,<br />
constelações miríades de prata,<br />
as pedras cintilavam cantilenas.</p>
<p style="text-align: center;">As árvores do sítio dão poemas,<br />
e na casa caipira, lá entre a mata,<br />
Diovvani faz poesias de esmeraldas!</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #00ff00;">Paulo Urban<br />
</span>Ninho das Pedras,  29 dezembro, MMVII</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<h2><span style="color: #50bb44;">Projetos Culturais de Diovvani:</span></h2>
<p><span style="color: #00ff00;"><strong>Projeto Pão&amp;Poesia – em qualquer esquina, em qualquer padaria.</strong></span></p>
<p><a rel="attachment wp-att-5522" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/pao-e-poesia1-logo/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5522" title="Pão e Poesia1.logo" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Pão-e-Poesia1.logo-299x265.jpg" alt="Pão e Poesia1.logo" width="209" height="186" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Alimento para o espírito! Afinal, nem só de pão vive o homem! O projeto Pão e Poesia, em qualquer esquina, em qualquer padaria, criação de Diovvani Mendonça leva poesia à mesa do café da manhã, por meio das embalagens de pão.</p>
<p style="text-align: justify;">A frente de casa saquinho de Pão e Poesia homenageia um poeta – e também um artista plástico, cuja arte ilustra a poesia publicada. Já o verso de cada saquinho, impresso em várias e diferentes versões, traz poemas e poesias tanto de poetas consagrados, convidados de Diovvani, como também de novos talentos, cujos trabalhos são selecionados por uma mesa julgadora.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-5525" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/pao-e-poesia2-3/"><img class="alignright size-medium wp-image-5525" title="Pao e Poesia2" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Pao-e-Poesia21-293x300.jpg" alt="Pao e Poesia2" width="293" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Em parceria com a MixPan, Indústria e Comércio Ltda, de Contagem, a primeira série do Projeto Pão e Poesia, lançada em 2008; trouxe-nos 300 mil saquinhos que foram distribuídos nas nas padarias de Belo Horizonte e Grande BH. “Vamos injetar poesia nas artérias da realidade”, diz Diovvani. Inovadora, a proposta repercutiu amplamente também em Portugal, de onde dezenas de poetas se inscreveram a fim de participar do empreendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma nova série do &#8220;Projeto Pão e Poesia, em qualquer esquina, em qualquer padaria&#8221; foi lançada em 2010, desta vez com a produção de 1/2 milhão de saquinhos, lançados em 4 séries: Sonetos, Trovas, Haicais e Versos Livres. O projeto, inovador em todos os seus aspectos, recebeu em 2009 o Prêmio &#8216;Pontos de Mídia Livre&#8217; do Ministério da Cultura e, em setembro de 2010, ganhou o selo de reconhecimento conferido aos projetos finalistas do &#8216;Prêmio Cultura Viva&#8217;, âmbito nacional, promovido pelo mesmo Ministério. Também em 2010 o Pão&amp;Poesia recebeu o patrocínio da empresa V&amp;M via Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Minas (renovado em 2011), e Diovvani desenvolve agora, com a ajuda de uma equipe de poetas e artistas que colaboram com o projeto, exposições itinerantes do Pão&amp;Poesia, levando-o às escolas da rede pública, nas quais são oferecids oficinas de poesia e palestras sobre literatura.      </p>
<p><span style="color: #00ff00;"><strong>Projeto Margarida, poesia em movimento.</strong></span></p>
<p><span style="color: #00ff00;"><strong><a rel="attachment wp-att-5561" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/margarida4-2/"><img class="alignleft size-full wp-image-5561" title="Margarida4" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Margarida41.jpg" alt="Margarida4" width="304" height="228" /></a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">A perua Rural Willys 73 está com seu motor roncando, prontinha pra sair cheia de livros e revistas pelas ruas e praças de toda grande Beagá, levando poesia e literatura à população. “Quem disse que o povo não gosta de ler, ou que não gosta de poesia? É só estacionar e começar a declamar que todo mundo rodeia a gente e ainda participa”. Diovvani ainda brinca: “Vou ter três seringas no carro, uma grande, uma média, uma pequena. Elas não têm agulha, e respectivamente me servirão para esvaziar o estresse da cabeça das pessoas, conforme este seja grande, médio ou pequeno. Daí, uma vez retirado o mal-estar, é só enviar os cidadãos ao bagageiro, onde cada um poderá escolher um livro, gratuitamente. Para tanto, peço doações e as tenho recebido de todo lado; já são centenas de livros e revistas prontinhos para distribuição entre as pessoas mais simples, dessas com quem cruzamos pelas ruas.” </p>
<p><span style="color: #00ff00;"><strong>Conheça o blog e os sítios (virtuais) de Diovvani:</strong></span></p>
<p><a href="http://www.diovmendonca.blogspot.com">www.diovmendonca.blogspot.com</a><br />
Neste endereço estão vários de seus poemas, segundo ele, são “Poeminhas para matar o tempo e distrair a dor de dente”.</p>
<p><a href="http://paopoesia.blogspot.com">http://paopoesia.blogspot.com</a><br />
Primeira edição do &#8220;Pão e Poesia, em qualquer esquina, em qualquer padaria&#8221;, ano 2008</p>
<p><a href="http://paoepoesia.org">http://paoepoesia.org</a><br />
Segunda edição de &#8220;Pão e Poesia, em qualquer esquina, em qualquer padaria&#8221;, ano 2009</p>
<p><a href="http://www.arvoredospoemas.blogspot.com">www.arvoredospoemas.blogspot.com</a><br />
Aqui Diovvani convida alguns de seus amigos poetas a escreverem de modo despretensioso a respeito de seus poetas preferidos. São poetas falando de poetas, vale a pena conferir.</p>
<div id="attachment_5544" class="wp-caption aligncenter" style="width: 603px"><a rel="attachment wp-att-5544" href="http://www.amigodaalma.com.br/2012/01/23/arvore-dos-poemas-criacao-do-poeta-diovvani-mendonca/poemarvore-paulo-urban-arte-pedro-pan-3/"><img class="size-full wp-image-5544" title="POEMARVORE.Paulo Urban.Arte Pedro Pan" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/POEMARVORE.Paulo-Urban.Arte-Pedro-Pan2.jpg" alt="Arte de Pedro Pan sobre Poemárvore, de Paulo Urban" width="593" height="439" /></a><p class="wp-caption-text">Arte de Pedro Pan sobre Poemárvore, de Paulo Urban</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Biblos ad Humus</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 17:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetos]]></category>

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		<description><![CDATA[BIBLOS AD HUMUS
Às vezes quando penso que sei muito
e conto esses meus livros nas estantes,
e lembro os outros tantos que escrevi,
pergunto aos grandes sábios do Planeta,
Aos simples que nem têm biblioteca,
de que me vale ter lido Cervantes,
Pessoa e William Shakespeare de Assis&#8230;
&#8230; e aos pés de Paulapóstolo me junto.
Caído do cavalo em plenestrada,
rasgado em quedabismo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #b3a94b;">BIBLOS AD HUMUS</span></h1>
<p style="text-align: center;">Às vezes quando penso que sei muito<br />
e conto esses meus livros nas estantes,<br />
e lembro os outros tantos que escrevi,<br />
pergunto aos grandes sábios do Planeta,</p>
<p style="text-align: center;">Aos simples que nem têm biblioteca,<br />
de que me vale ter lido Cervantes,<br />
Pessoa e William Shakespeare de Assis&#8230;<br />
&#8230; e aos pés de Paulapóstolo me junto.</p>
<p style="text-align: center;">Caído do cavalo em plenestrada,<br />
rasgado em quedabismo sou fiasco<br />
e vejo que estes livros são maçãs,</p>
<p style="text-align: center;">São frutos proibidos das manhãs,<br />
são passos que buscando alçar Damasco,<br />
fazem meu rastro em pó, pois não sei nada!</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #b3a94b;"><strong>Paulo Urban<br />
</strong></span>31 de dezembro, MMXI<br />
13h – dec. her.</p>
<div id="attachment_5240" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a rel="attachment wp-att-5240" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/12/31/biblos-ad-humus/biblioteca-de-alexandria-grande-sala-reconstituicao-baseada-em-pesqusas-sec-3-a-c/"><img class="size-full wp-image-5240 " title="Biblioteca de Alexandria - Grande Sala - Reconstituição baseada em pesqusas sec.3 a.C" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Biblioteca-de-Alexandria-Grande-Sala-Reconstituição-baseada-em-pesqusas-sec.3-a.C.jpg" alt="Biblioteca de Alexandria - Grande Sala - Reconstituição baseada em pesqusas sec.3 a.C" width="580" height="379" /></a><p class="wp-caption-text">Grande Sala de Alexandria, reconstituída segundo pesquisas histórico-arqueológicas. A Biblioteca foi incendiada em 415 d.C. por uma horda de cristãos fanáticos que a destruiu completamente em nome de Deus. </p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>[Livros] Segredos de um Coração</title>
		<link>http://www.amigodaalma.com.br/2011/12/06/livros-segredos-de-um-coracao/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 12:33:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[“Por isso tudo é que me sinto especialmente abençoado como filho, tocado por esta história escrita por mamãe, para quem seus 75 anos nada são senão idade de criança que sabe ver o essencial, “evidentemente”, invisível para os olhos, como diria o mestre Saint-Exupéry. O leitor de Segredos de um Coração, um chamado ao despertar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff00ff;"><strong>“Por isso tudo</strong></span> é que me sinto especialmente abençoado como filho, tocado por esta história escrita por mamãe, para quem seus 75 anos nada são senão idade de criança que sabe ver o essencial, “evidentemente”, invisível para os olhos, como diria o mestre Saint-Exupéry. O leitor de <em>Segredos de um Coração</em>, um chamado ao despertar da consciência, que se acostume, pois, a não deixar de ser criança”.</p>
<p style="text-align: justify;"> <a rel="attachment wp-att-5208" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/12/06/livros-segredos-de-um-coracao/capa-segredos-de-um-coracao/"><img class="alignleft size-full wp-image-5208" title="Capa - Segredos de Um Coração" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Capa-Segredos-de-Um-Coração-.jpg" alt="Capa - Segredos de Um Coração" width="275" height="390" /></a><em><span style="color: #ff00ff;"><strong>Segredos de um Coração,</strong></span> </em>2011, Editora Cidade, Sorocaba, é o segundo livro de mamãe (para saber mais acerca de sua 1ª obra, <em><a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/04/25/livro-vitrais-dalma-poesia-em-quatro-estacoes/" target="_blank">Vitrais d’Alma, Poesia em Quatro Estações</a>,</em> 2009, lançada por Maria Ignez aos 73 anos, <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/04/25/livro-vitrais-dalma-poesia-em-quatro-estacoes/" target="_blank">leia aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #ff00ff;"><strong>Segredos de um Coração</strong></span></em> recebeu também o carinho artístico de Taciana Urban Monteiro Gun, sobrinha da autora, cujas ilustrações, por sua graça e singeleza souberam dar o devido colorido à alma de Maria Isabel, ou simplesmente Bel, sensível menina de 8 anos, personagem central e narradora de sua própria história. E pelas coisas todas deliciosas que nos conta Bel, a incluir suas melhores férias passadas no interior, na casa da avó, suas brincadeiras na calçada, o circo, a banda no coreto, o zoológico&#8230; é que vamos sendo levados a cada capítulo e a cada oração que faz a menina, a resgatar o melhor de uma infância que bem poderia ter sido a nossa. Tudo isso acompanhado das reflexões de uma criança, cujo coração simples e puro tem muito a nos ensinar.</p>
<div id="attachment_5215" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-5215" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/12/06/livros-segredos-de-um-coracao/foto-da-autora-e-seu-neto-luca-feita-por-fabio-rogerio/"><img class="size-medium wp-image-5215" title="Foto da autora e seu neto Luca, feita por Fabio Rogerio" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Foto-da-autora-e-seu-neto-Luca-feita-por-Fabio-Rogerio-300x232.jpg" alt="Foto da autora e seu neto Luca, feita por Fabio Rogerio" width="300" height="232" /></a><p class="wp-caption-text">foto da autora ao lado de seu neto Luca, por Fábio Rogério, jornal O Cruzeiro do Sul</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff00ff;"><strong>Também participam</strong></span> da produção do livro os netos da autora, Maíra, 13 anos, e Luca, 8 anos (é ele quem está todo orgulhoso ao lado da avó que, por ocasião do lançamento da obra, conferia <a href="http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=323962" target="_blank">entrevista ao jornal <em>O Cruzeiro do Sul</em></a>, de Sorocaba, cuja matéria <a href="http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=323962" target="_blank">pode ser lida aqui</a>). A pedido de mamãe, redigi um prefácio ao <em>Segredos de um Coração</em>, e os deliciosos dizeres da 4ª capa ficaram por conta da amiga publicitária, escritora e poetisa Dani Neves (<a href="http://no-presente.blogspot.com/" target="_blank">http://no-presente.blogspot.com/</a>)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff00ff;">Valho-me, pois,</span> </strong>de um indiscutível privilégio, raríssimos são os filhos que recebem esta redobrada benção, a de poder prefaciar uma segunda obra escrita por mamãe, desta vez não um livro de poesias como aquele com que a escritora, do alto de seus 73 anos, estreou no circuito literário, mas um singelo e saboroso livro infantil, direcionado a todas as crianças, não somente àquelas que ora estejam literalmente entregues à infância, mas, sobretudo, às que moram bem guardadas, dormentes ou despertas, dentro de todos os corações.</p>
<p style="text-align: justify;">Título: <span style="color: #ff00ff;"><strong>Segredos de um Coração<br />
</strong></span>autora: Maria Ignez Urban Pimentel<br />
100 páginas<br />
formato: 25,5 X 15cm<br />
editora: Gráfica e Editora Cidade<br />
lançado em 2011 - nas livrarias: R$ 30,oo &#8211; para solicitar seu exemplar por R$ 25,oo + despesas de correio, escreva para <a href="mailto:urban@paulourban.com.br">urban@paulourban.com.br</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Artinnatura</title>
		<link>http://www.amigodaalma.com.br/2011/11/16/artinnatura/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2011 11:59:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alan Rodrigues de Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetextos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos poetas contemporâneos com cuja obra muito me identifico é Alan Rodrigues de Carvalho, cujos sonetos malditos (e outros tantos eróticos) deveriam ser trazidos à luz por alguma editora, ainda que o charme desse poeta seja o de mais à vontade andar assim, à sombra acadêmica, sob a proteção do mais secreto crepúsculo das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #48a5b7;"><strong>Um dos poetas </strong></span>contemporâneos com cuja obra muito me identifico é Alan Rodrigues de Carvalho, cujos sonetos malditos (e outros tantos eróticos) deveriam ser trazidos à luz por alguma editora, ainda que o charme desse poeta seja o de mais à vontade andar assim, à sombra acadêmica, sob a proteção do mais secreto crepúsculo das letras. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #48a5b7;"><strong>Privei-me intensamente</strong></span> dos soturnos ares de sua mente luminosa durantes os três saudáveis e consecutivos anos em que compartilhamos dos mesmos bancos escolares. Àquela época, deliciávamo-nos com as aulas de literatura ministradas pela Prof.ª Marta Marques da Silva, que tanto nos fez amar a mitologia clássica como descobrir o gênio de Machado, também com o ministério do Prof. Roberto Melo Mesquita, de quem herdamos, muito além de sua bem conceituada gramática, o amor pelos sonetos.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #48a5b7;"><strong>A propósito,</strong></span> Prof. Mesquita considerava a “forma soneto”, desde que preservadas fossem a economia e a riqueza imagética pelas penas dos poetas, verdadeiras obras-primas emolduradas em quatro quadros, dois quartetos e dois tercetos; pequenas operetas de musicalidade rítmica a dar conta de toda uma história inteiramente contada, começo, meio e fim, em suas justas e perfeitas tão-somente 14 linhas (de infinitas entrelinhas, é claro).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #48a5b7;"><strong>É que a verdadeira arte,</strong></span> seja ela qual for, requer dose de medida, tal qual a vemos fluir livre, sem que dela se desperdice uma só gota, em toda ação de justa Temperança, tal qual nos ensina o Arcano XIV do Tarô, grande selo oculto da Tradição da Alquimia.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="color: #48a5b7;">Também em relação</span> </strong>a esta artesotérica, cumpre dizer que Alan e eu comungamos de uma mesma fontescola, posto sermos discípulos de Christiano Sotero, 78 anos, também nosso mestre sonetista, que em sua bibliotecalquímica, oculta seu particular tesourencantado, todo ele formado por iluminuras, poções alquímicas, nosódios e florais, além de seus próprios sonetalquímicos, alguns dos quais já tive a honra de publicar aqui (o leitor interessado em conhecê-los, por gentileza, visite <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/03/07/raposaguia/" target="_blank">Raposáguia</a> e <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/10/12/panterespectro/" target="_blank">Panterespectro</a>).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="color: #48a5b7;">E foi assim,</span> </strong>visando quadrar o círculo, buscando unir o sal à água, tentando estreitar os caminhos seco e úmido na febril procura pela Pedra e pelo Elixir, que Alan Rodrigues e eu nos encontramos no Templo da Grande Jornada, na Iniciação ao longo da qual, muito distantes ainda dos Mistérios que ousamos penetrar, buscamos <em>sub rosa</em> sonetar, cada qual à sua moda, dando conta da retorta alquímica que nos foi confiada, conforme nos orienta fazer toda a práxis esotérica e literária de Sotero.</p>
<div id="attachment_5162" class="wp-caption alignleft" style="width: 243px"><a rel="attachment wp-att-5162" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/11/16/artinnatura/augustodosanjos1-03-4/"><img class="size-medium wp-image-5162" title="AugustodosAnjos1.03" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/AugustodosAnjos1.033-233x300.jpg" alt="Augusto dos Anjos (1884-1914)" width="233" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Augusto dos Anjos (1884-1914)</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #48a5b7;"><strong>Apresento-vos,</strong></span> pois, conforme prometido havia em <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/08/13/dama-de-paus/" target="_blank">Dama de Paus,</a> o soneto <em><span style="color: #48a5b7;"><strong>Artinnatura</strong></span></em> de Alan Rodrigues de Carvalho, a expressar o êxtase em que se traduziu seu contato, desses que fazem arrebatar, encontro dele com o mestre <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2009/12/27/augusto-dos-anjos-poeta-da-espiritualidade/" target="_blank">Augusto dos Anjos</a> que, em sua consciência de quiróptero, visitou-o certa noite na caverna onde ele escreve, fazendo com que a verdade se levantasse das pedras mortas, a abrir-lhe assim todas as portas para os ensinamentos esotéricos que o poetaugusto nos legou cifrado e bem codificado na singularidade do <span style="color: #48a5b7;"><strong><em>Eu</em></strong></span>, obra-máxima de sua alma.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #48a5b7;"><strong>Por isso,</strong></span> segue o signo: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">   </p>
<h1 style="TEXT-ALIGN: center"><span style="color: #48a5b7;">ARTINNATURA</span></h1>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Às noites em meu quarto solitário<br />
ouço batidas fortes e sonoras;<br />
lúgubre carrilhão das densas horas,<br />
retumba a madrugada em campanário.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Nas asas dos morcegos a alma aflora;<br />
errante, voa e cumpre o itinerário,<br />
refaz item por item questionário<br />
que no escuro dos quartos sempre mora.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Inquietações da angústia da caverna<br />
gotejam feito versos de um soneto,<br />
explodem feito dor em dinamites;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><em>- Augusto, acende logo tua lanterna!<br />
</em>E vê pingando em último terceto,<br />
dos Anjos, pranto em estalactites.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #48a5b7;"><strong> Alan Rodrigues de Carvalho</strong></span></p>
<p style="text-align: center;">(decassílabos heroicos, madrugada de 3 de agosto do ano da graça de 2001)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Vidarcano XIII</title>
		<link>http://www.amigodaalma.com.br/2011/10/20/vidarcano-xiii/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 13:54:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetos]]></category>
		<category><![CDATA[Tarô]]></category>

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		<description><![CDATA[VIDARCANO XIII
(porque o melhor epitáfio não vale mais que estar aqui)
 
Qual Dama é esta a morte que só espera?
Se é fim, ou torvelinho, ou labirinto,
Se é parte de mim mesmo que eu não sinto,
Soubesse, escaparia à Esfinge-Fera.
Se a morte é doce espírito de absinto,
Se a morte é uma mandala noutra esfera,
Quem sabe então morrer seja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;">VIDARCANO XIII</span></h1>
<p style="TEXT-ALIGN: center">(porque o melhor epitáfio não vale mais que estar aqui)</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"> <a rel="attachment wp-att-5131" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/10/20/vidarcano-xiii/marselha-arcano-13-3/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5131" title="Marselha.arcano 13" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Marselha.arcano-133-160x300.jpg" alt="Marselha.arcano 13" width="160" height="300" /></a></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Qual Dama é esta a morte que só espera?<br />
Se é fim, ou torvelinho, ou labirinto,<br />
Se é parte de mim mesmo que eu não sinto,<br />
Soubesse, escaparia à Esfinge-Fera.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Se a morte é doce espírito de absinto,<br />
Se a morte é uma mandala noutra esfera,<br />
Quem sabe então morrer seja a quimera,<br />
Passagem para o haver mundo distinto.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Profundalém das pedras, das cavernas,<br />
No abismo dissoluto do vazio,<br />
Meus chackras se transmutam iridescentes&#8230;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">A porta da gaiola se abre em fio,<br />
Minha alma se desfia em ceninternas<br />
Que me abrem luz e túnel incandescentes!</p>
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;">Paulo Urban</span></h3>
<h5 style="TEXT-ALIGN: center">18 de outubro, MMXI<br />
15h – dec. heróicos</h5>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><a rel="attachment wp-att-5149" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/10/20/vidarcano-xiii/o-ciclo-3/"><img class="aligncenter size-full wp-image-5149" title="O Ciclo" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/O-Ciclo2.jpg" alt="O Ciclo" width="316" height="475" /></a></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">   Crédito de imagem: &#8220;O Ciclo&#8221; &#8211; Arcano XIII do Tarô da Nova Consciência - Óleo sobre tela; Criação do renomado artista plástico Eduardo Vilela</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Rito de Núpcias</title>
		<link>http://www.amigodaalma.com.br/2011/08/31/rito-de-nupcias/</link>
		<comments>http://www.amigodaalma.com.br/2011/08/31/rito-de-nupcias/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 23:19:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Galaxonetos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetos]]></category>

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		<description><![CDATA[
RITO DE NÚPCIAS DOS KRÉTERES
Singrei navestelar, quadrante Teta,
à caça de outras vidas, novos seres&#8230;
- Um curso em dobra 8, linda alferes!
- Perfeito, capitão! – Traçada a meta,
Surgiu então na tela a Lua Ceres,
satélite de Ontárius, seu planeta,
que em órbita de Kirgam, estrela neta,
era morada inóspita dos Kréteres.
Criaturas com guelras, corpescamas,
cujas núpcias demoram dez eons&#8230;
Um macho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><a rel="attachment wp-att-5101" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/08/31/rito-de-nupcias/avery-frost-orion-spacecratf-copyrirght-by-j-s-artists-ltd-0-4/"><img class="aligncenter size-full wp-image-5101" title="Avery-Frost Orion Spacecratf; copyrirght by J.S. Artists, Ltd.0.4" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Avery-Frost-Orion-Spacecratf-copyrirght-by-J.S.-Artists-Ltd.0.4.jpg" alt="Avery-Frost Orion Spacecratf; copyrirght by J.S. Artists, Ltd.0.4" width="501" height="626" /></a></strong></p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">RITO DE NÚPCIAS DOS KRÉTERES</span></h2>
<p style="text-align: center;">Singrei navestelar, quadrante Teta,<br />
à caça de outras vidas, novos seres&#8230;<br />
- Um curso em dobra 8, linda alferes!<br />
- Perfeito, capitão! – Traçada a meta,</p>
<p style="text-align: center;">Surgiu então na tela a Lua Ceres,<br />
satélite de Ontárius, seu planeta,<br />
que em órbita de Kirgam, estrela neta,<br />
era morada inóspita dos Kréteres.</p>
<p style="text-align: center;">Criaturas com guelras, corpescamas,<br />
cujas núpcias demoram dez eons&#8230;<br />
Um macho fecundava a fêmea em glória;</p>
<p style="text-align: center;">Depois de engravidá-la, vai-se embora;<br />
e até que eclodam os novos ovos bons,<br />
meu Sol já será morto, sem ter chamas!</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-5102" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/08/31/rito-de-nupcias/kreter-homem-cobra-0-4/"><img class="size-full wp-image-5102   aligncenter" title="Kréter-homem-cobra.0.4" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Kréter-homem-cobra.0.4.jpg" alt="Kréter-homem-cobra.0.4" width="347" height="405" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;"><strong>Paulo Urban<br />
</strong></span>Comandantestelar do Aquarismo<br />
Galáxaguas de São Pedro, Cosmosferas.<br />
Datestelar: 8.21.20.11</p>
<p style="text-align: left;">Créditos das imagens:</p>
<h6 style="text-align: left;">- Avery-Frost Orion; copyrigth de J. S. Artists; Hamlyn Publishing Group Limited, London.<br />
- Híbrido Homem-cobra; ilustr. de Jean Torton (nosso Kréter, ou o que de mais perto pude encontrar desse espécime, criaturas jamais fotografadas, quer pela NASA, quer pela Starfleet Federation)</h6>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Tempestade e o Tarô de Shakespeare</title>
		<link>http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/</link>
		<comments>http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 Jul 2011 14:51:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esoterismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Magia]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetextos]]></category>
		<category><![CDATA[Tarô]]></category>

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		<description><![CDATA[A TEMPESTADE E O TARÔ DE SHAKESPEARE
We are such stuff as dreams are made on
 
Iniciei minha leitura de Shakespeare (1564-1616) tinha 15 anos e o fiz junto com minha auto-iniciação ao tarô. Dei a mim mesmo naquele natal de 1980 um presente duplo: Dogma e Ritual da Alta Magia, Ed. Pensamento, complexo tratado do século [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="TEXT-ALIGN: center"><span style="color: #917030;">A TEMPESTADE E O TARÔ DE SHAKESPEARE</span><br />
<em>We are such stuff as dreams are made on</em></h3>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><a rel="attachment wp-att-5020" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/william-shakespeare2-0-33/"><img class="aligncenter size-full wp-image-5020" title="William Shakespeare2.0.33" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/William-Shakespeare2.0.33.jpg" alt="William Shakespeare2.0.33" width="562" height="434" /></a> </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Iniciei minha leitura</strong></span> de Shakespeare (1564-1616) tinha 15 anos e o fiz junto com minha auto-iniciação ao tarô. Dei a mim mesmo naquele natal de 1980 um presente duplo: <em>Dogma e Ritual da Alta Magia</em>, Ed. Pensamento, complexo tratado do século XIX de magia teórico-operativa de Eliphas Levi (1816-1875), e também <em>The Complete Works of William Shakespeare,</em> Spring Books of London, 1958, a trazer suas 37 peças, os 160 sonetos e seus outros 5 poemas. O dinheiro pra isso consegui com meu avô, que viria a falecer na semana seguinte, no último dia do ano. Considero sejam estas duas obras a melhor relíquia que me ficou de sua herança.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a rel="attachment wp-att-5023" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/tarocchi-di-shakespeare1/"><img class="alignleft size-large wp-image-5023" title="Tarocchi di Shakespeare1" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Tarocchi-di-Shakespeare1-548x1024.jpg" alt="Tarocchi di Shakespeare1" width="296" height="553" /></a></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>E foi assim,</strong></span> apadrinhado por este meu avô, muito católico era ele, e sem que ele soubesse onde eu havia aplicado a importância que me dera, que me iniciei em duas das mais proibidas questões do esoterismo Ocidental: Shakespeare e o Tarô. E me iniciei no segundo tema quase sem saber que o fazia. Descobri-o conforme lia a citada obra-prima do mago Levi, toda ela uma verdadeira iniciação à alma do tarô, capítulo por capítulo desenhada, a discutir a fundo os aspectos mágico-esotéricos dos 22 Arcanos Maiores. Tudo está lá, tim-tim por tim-tim; entrego, pois, a chave descoberta, mas é preciso ter olhos que sabem ver para abrir as portas do Templo com ela. Bem&#8230; ocorre que àquela época não havia quase livros nem baralhos de tarô em todo o Brasil; vasculhando as melhores livrarias de São Paulo, tive mesmo que me contentar com algumas publicações populares da ed. Pensamento, duas das quais, ainda que deixando muito a desejar, vinham ao menos acompanhadas de seus respectivos baralhos – um deles, aliás,  uma razoável reprodução do clássico Tarô de Marselha, com os quais pude ver como a “coisa” funciona e cria vida. Mas li também <em>Meditações sobre os 22 Arcanos do Tarô</em>, edições Paulinas, sem dúvida o melhor e mais profundo texto sobre o tarô até hoje escrito. Seu autor? Um monge alemão, filósofo desconhecido, célebre alquimista cujo verdadeiro nome me foi soprado na Iniciação sofrida nos <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/10/12/panterespectro/" target="_blank">terraços de Notredame</a>, e eu o ouvi da boca do mestre <a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/03/07/raposaguia/" target="_blank">Christiano Sotero</a>, naquela primavera de 1996.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Mas antes</strong></span> que outras peças do grande quebra-cabeças sejam dadas, tratemos aqui das peças que mais nos interessam, escritas pelo célebre bardo nascido em Strattford-upon-Avon, 100 milhas noroeste de Londres, cujo nome nos oferece nada menos que 4 mil maneiras diferentes de ser pronunciado, conforme roga a variedade com que ele surge na ortografia inglesa, indo de Shaxpere a Shagsespire, de Xhaghsspear a Shykesspeer, também sem prejuízo algum chamado de Chiquespirra pelos mais cultos caipiras do interiorzão de São Paulo e Minas.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong><a rel="attachment wp-att-5026" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/william-shakespeare-0-5/"><img class="alignright size-medium wp-image-5026" title="William Shakespeare.0.5" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/William-Shakespeare.0.5-202x300.jpg" alt="William Shakespeare.0.5" width="202" height="300" /></a>Iniciei a leitura</strong></span> das 1081 páginas do calhamaço Spring Books por <em>The Tempest</em>, julgando fosse ali, naquela Tempestade, estivesse guardado o tormentoso começo de tudo, já que era este o primeiro texto a figurar no livro. Ledo engano; aprendi depois, esta é justamente a última peça escrita pelo dramaturgo. Ocorre que desde 1623, quando se compôs o “1º Fólio de Shakespeare” a reunir suas peças todas, <em>A Tempestade</em>, ocasionalmente esquecida pelos editores Heminges &amp; Condell (ambos haviam sido amigos do poeta e dele herdaram parte de sua fortuna), acabou sendo de última hora agregada à edição, razão pela qual foi impressa à frente das demais peças. Tendo este Fólio shakespeareano servido de modelo a inúmeras outras publicações, muitas são as edições mundo afora que até hoje trazem <em>A Tempestade</em> como a primeira entre as 37 peças, cuja grande maioria se fez encenar no arrojado <em>Globe Theatre. </em>Seu nome se deve à forma do prédio, três andares erguidos em forma de arena, inaugurado em 1594, às margens do Tâmisa, com capacidade para 2.500 pessoas sentadas, ou três mil, considerando os que se contentavam, como eu logicamente o faria, em assistir às peças de Shakespeare (mesmo as que levam 3 a 4 horas de espetáculo) pagando um pouco menos por isso, mas tempo todo em pé.</p>
<div id="attachment_5033" class="wp-caption alignleft" style="width: 308px"><a rel="attachment wp-att-5033" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/a-tempestade-prospero-miranda-fernand-e-ariel-0-6/"><img class="size-full wp-image-5033" title="A Tempestade - Próspero, Miranda, Fernand e Ariel.0.6" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/A-Tempestade-Próspero-Miranda-Fernand-e-Ariel.0.6.jpg" alt="A Tempestade - Próspero, Miranda, Fernand e Ariel.0.6" width="298" height="473" /></a><p class="wp-caption-text">Próspero, com o auxílio de Ariel, planeja casar Miranda com Fernand, filho do rei de Nápoles </p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Finalizada em 1611,</strong></span> apresentada no mesmo ano, <em>The Tempest</em> estreou trazendo nada menos que o próprio Shakespeare a encarnar o papel de Próspero, poderoso mago protagonista de toda a trama. Próspero acha-se há 12 anos exilado em sua ilha, desde quando seu trono (era ele o legítimo Duque de Milão) fora usurpado por Antônio, que o traíra, irmão do Rei Nápoles. Gonzalo, conselheiro de Antônio, cuidara para que seu barco estivesse provido de centenas de livros, maioria deles tratados de magia (obras-fonte para os tratados esotéricos que o mago francês Eliphas Levi escreveria séculos mais tarde). Gonzalo arremete Próspero e sua filha Miranda, uma criança de 3 anos, ao mar. Ainda que sob ordens de Antônio houvesse zelado para que o barco estivesse devidamente furado, o caso é que Próspero consegue atracar em uma ilha distante, domínios da temível bruxa Sycorax. Próspero a vence com sua magia, expulsa-a para sempre da ilha e adota para si um de seus medonhos servos, o monstro Calibã, figura infeliz e disforme, 1/3 homem, 1/3 peixe, 1/3 tartaruga. De quebra, liberta de um ancestral carvalho o gênio Ariel, espécie de anjo protetor, que fora ali aprisionado por Sycorax, mas Próspero o subjuga igualmente, prometendo-lhe, entretanto, um dia devolver-lhe a liberdade. Quando Miranda cresce, Calibã tenta explorar sua beleza, mas seu pai intervém; salva a virgindade da filha e condena a deformada besta aos mais pesados trabalhos, tornando-se ele próprio agora um severo dono para o monstro. Miranda nada sabe sobre a realeza de seu passado, nem se lembra de ter visto em toda a sua vida homem algum além do pai. Ela está com 15 anos quando Ariel vem avisar Próspero que uma nau, trazendo seus desafetos todos, passa ao largo, no estreito próximo à ilha. Nela, entre marinheiros e tripulantes, estão Alonso, rei de Nápoles, acompanhado de seu filho, o jovem Fernand; também sobre o convés está Antônio, o traidor que usurpara seu trono, acompanhado do fiel Gonzalo.</p>
<div id="attachment_5036" class="wp-caption alignright" style="width: 273px"><a rel="attachment wp-att-5036" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/tarocchi-di-shakespeare-valete-de-paus-0-85/"><img class="size-large wp-image-5036  " title="Tarocchi di Shakespeare.Valete de Paus.0.85" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Tarocchi-di-Shakespeare.Valete-de-Paus.0.85-548x1024.jpg" alt="Calibã, aqui como Valete de Paus, prestes a tentar deflorar Miranda" width="263" height="491" /></a><p class="wp-caption-text">Calibã, aqui como Valete de Paus, prestes a tentar deflorar Miranda</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Próspero</strong></span> não perde a chance e ordena a Ariel que cause, pois, uma tempestade, que faça assim naufragar o navio, cuidando, entretanto, de salvar a todos e fazer com que venham bater nas diferentes praias de sua ilha. Finalmente, estava armada sua vingança! Assim pensaram todos quando se encerrou o 1º ato naquela estreia em Londres, numa noite sem tempestade nem chuva, mas com o Tâmisa inteiramente coberto pelo fog. E eu que não vou ser besta de contar aqui como é que termina a história; aliás, vou contar tudo sim, mas não bestamente (e conto ainda mais detalhes no soneto), senão de um modo que não estrague o desencadear surpreendente dos fatos que levarão todos os antigos inimigos de Próspero a ficar completamente entregues à sua mercê. Quando então, todos esperamos que seus inimigos sejam vingados, ou ainda que certas insinuações de diálogo desencadeiem alguma nova tragédia shakespeareana, o clímax da trama se dissolve numa bem esperançosa mensagem de cura e amor à toda a humanidade! E Próspero ainda faz casar sua filha com Fernand! Vixi, agora é que contei tudo mesmo! Mas não faz mal, mesmo porque nada disso tem lá tanta importância na peça quanto o fato de ser ela, <em>A Tempestade</em>, acima de tudo, como soem fazer a as boas tempestades, anúncio de melhores tempos!</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Sim, isto porque</strong></span> ao perdoar seus inimigos, Próspero dá um voto de confiança ao bom entendimento entre os homens, e propõe que todos nós saibamos nos despir das personagens que muitas vezes assumimos e que nos iludem quanto à nossa verdadeira essência. O mago Duque de Milão vence em todas as frentes: recupera seu legítimo trono, casa com felicidade sua filha, transforma Calibã num monstrengo dos mais razoáveis e, finda sua tarefa de recolocar todas as coisas e a própria vida em ordem, conforme prometido fora, restitui finalmente a liberdade a Ariel.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a rel="attachment wp-att-5047" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/william-shakespeare1-0-6/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5047" title="William Shakespeare1.0.6" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/William-Shakespeare1.0.6-289x300.jpg" alt="William Shakespeare1.0.6" width="208" height="216" /></a></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Ato inédito,</strong></span> Próspero inventa ainda o primeiro momento em toda a história do teatro em que o ator transpõe a convencional barreira da &#8220;quarta parede&#8221; e interage com o público: deixando de lado o caduceu, isto é, abrindo mão de seu poder mágico, humanamente e por meio de sua fala poética, convida toda a plateia a dar as mãos como gesto de aprovação para que ele e toda a trupe sobre o palco possam se transportar diretamente a Milão, já que o navio que trouxera seus visitantes, como todos viram, naufragara no 1º ato. E é assim, por força da magia do público, que as cortinas descem sobre os personagens e quando se erguem ninguém mais está em cena. Voltaram para Milão, compreendem os entusiasmados espectadores, e por força da magia do bem!, sim, porque ser original é coisa própria desses gênios!</p>
<div id="attachment_5039" class="wp-caption alignleft" style="width: 274px"><a rel="attachment wp-att-5039" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/tarocchi-di-shakespeare0-0-8/"><img class="size-large wp-image-5039  " title="Tarocchi di Shakespeare0.0.8" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Tarocchi-di-Shakespeare0.0.8-550x1024.jpg" alt="Ariel, a soprar tempestades, aparece aqui como &quot;Il Mato&quot; do Tarô, ou o Arcano sem número.  " width="264" height="491" /></a><p class="wp-caption-text">Ariel, a soprar tempestades, aparece aqui como &quot;Il Mato&quot; do Tarô, ou o Arcano sem número. </p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong><em>A Tempestade</em> traduz,</strong></span> pois, um libelo a uma nova ordem entre os homens, onde possa prosperar o amor e o perdão; é também uma divertida apologia à liberdade, por meio dela Shakespeare anuncia o advento de uma Nova Consciência a ser alcançada pelo espírito humano, propõe que subjuguemos nossas forças brutas mais instintivas, que movem Calibãs e Ariéis dentro de nós, capazes de constelar realidades duras ou suaves, brutas ou sensíveis, trágicas ou pacíficas, terríveis ou amorosas. Afinal, todos somos dotados de um espírito indomado, com o qual precisamos nos entender até que possamos dar a ele, seguramente, sua completa liberdade, driblando o perigo de cairmos todos, na falta disso, na pobreza existencial; o segredo está em alimentar nosso Ariel com a esperança de uma consciência viva e mais iluminada. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong><em>A Tempestade</em>,</strong></span> marco de uma nova era dramatúrgica, propõe ao psiquismo coletivo que se cure o quanto antes de suas velhas mazelas, afinal, passada a tormenta, eis que é chegada a bonança de melhores dias. Mas ela marca também a despedida de nosso bardo dos palcos. Do alto de sua glória, famoso em toda a Inglaterra, Shakespeare nada mais encenaria até sua morte, que ocorreria dali a cinco anos. Não por acaso, fez desta sua última temporada sublime razão para proferir pela fala de Próspero toda a magia de seu derradeiro legado:</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">“Nós somos todos do estofo com que se fazem os sonhos,<br />
E nossa vida é curto intervalo entre dois sonos”.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Ao que minha filha,</strong></span> hoje com 13, desde quando há anos me ouviu pela primeira vez ler isso pra ela, replicou:</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"> - Ou será que a vida é que é sono, pai? Um sono entre dois sonhos? (&#8230;)</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #917030;"><strong>Na imponderabilidade</strong></span> da questão de uma criança, na impossibilidade de uma resposta adulta que nos sirva, deito meu Tarô sobre a mesa, sonhando com realidades melhores, imaginando situações presentes e futuras&#8230;  </p>
<h1 style="TEXT-ALIGN: center"><span style="color: #917030;">SHAKESPROSPEARE</span></h1>
<p style="TEXT-ALIGN: center">- Encerro meus trabalhos como Próspero,<br />
na ilha entre meus livros, com Miranda,<br />
<em>ad mysterium res unius perpetranda,<br />
</em>meu sonho é vivo e não morre de véspera.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">- Mandei gênio Ariel soprar de banda<br />
causando a Tempestade em todo o Bósforo,<br />
que bem fez naufragar antigas víboras,<br />
serpentes cujo mal meu bem abranda.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">- Meu usurpado trono recupero,<br />
patifes eu perdoo em minha ilha;<br />
eu caso com Fernand a minha filha;<br />
na cura das tragédias, venço Homero;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">liberto Calibã, ser dos bisonhos&#8230;<br />
- Somos feitos do estofo que urde os sonhos!</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><a rel="attachment wp-att-5042" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/07/24/5011/tarocchi-di-shakespeare-10-de-ouros-0-56/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5042" title="Tarocchi di Shakespeare.10 de ouros.0.56" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Tarocchi-di-Shakespeare.10-de-ouros.0.56-161x300.jpg" alt="Tarocchi di Shakespeare.10 de ouros.0.56" width="161" height="300" /></a></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="color: #917030;"><strong>Paulo Urban</strong></span></p>
<h6 style="TEXT-ALIGN: center">Sonetinglês (3 quartetos + dístico):<br />
manhã paulistana de 21 de julho, MMXI<br />
no trânsito, a  caminho do consultório</h6>
<h6 style="TEXT-ALIGN: center"> créditos: Tarocchi di Shakespeare é criação do artista plástico italiano Luigi Scapim, <em>edito da Dal Negro</em>, Treviso  </h6>
]]></content:encoded>
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		<title>Ter com Ver</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2011 15:13:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mitologia Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetextos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetos]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulo é nome latino e quer dizer “pequeno”. E foi esse o nome que ele escolheu para si quando, derrubado do cavalo que o levava a Damasco, aquele homem versado em letras, também cobrador de impostos, pela primeira vez na vida se sentiu realmente diminuto diante do extraordinário que seus olhos viram e do portentoso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #dd4722;"><strong>Paulo é nome latino </strong></span>e quer dizer “pequeno”. E foi esse o nome que ele escolheu para si quando, derrubado do cavalo que o levava a Damasco, aquele homem versado em letras, também cobrador de impostos, pela primeira vez na vida se sentiu realmente diminuto diante do extraordinário que seus olhos viram e do portentoso chamado que seus ouvidos escutaram.</p>
<p><strong><span style="color: #dd4722;">Ele era agora</span> </strong>um renascido Paulo aberto. Sim, porque “converter” tem sempre algo a&#8230;</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #dd4722;">TER COM VER</span></h2>
<p style="text-align: center;">Caí de meu cavalo à voz do céu.<br />
Na estrada de Damasco fiquei cego,<br />
na luz do Cristo vivo ora me entrego<br />
e passo a ver o oculto atrás do véu.</p>
<p style="text-align: center;"><em>- Saulo, Saulo, por que tu me persegues?<br />
</em>E o chamado turvou meu vento ateu,<br />
a escama de meus olhos desprendeu,<br />
e Cristo disse a mim: <em>- Vai-te! Que pregues!</em></p>
<p style="text-align: center;">Sou hoje um renascido Paulo aberto,<br />
consciente de um sofrer que inda me espera<br />
vivendo na encarnada realidade.</p>
<p style="text-align: center;">E o amor é um organismo em cristesfera<br />
que banha em salvação num rito interno:<br />
é o fogo que transforma a humanidade!</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #dd4722;">Paulo Urban</span><br />
Belo Horizonte (MG), 4 de janeiro, MMVI<br />
Decassílabos heroicos</p>
<div id="attachment_4916" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a rel="attachment wp-att-4916" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/06/23/ter-com-ver/caravaggio-a-queda-de-s-paulo-0-5-3/"><img class="size-full wp-image-4916 " title="Caravaggio.A queda de S. Paulo.0.5" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Caravaggio.A-queda-de-S.-Paulo.0.52.jpg" alt="Caravaggio (1573-1610) A Queda de São Paulo" width="460" height="585" /></a><p class="wp-caption-text">Caravaggio (1573-1610) A Conversão de São Paulo no Caminho de Damasco</p></div>
<p style="text-align: justify;"> <span style="color: #dd4722;"><strong>Também eu,</strong></span> pequeno Paulo, nas dores e na lide, nas alegrias e tormentos das lições, vejo-me a crescer sempre que, tendo visto e escutado, caído ou não de meu cavalo, enxergo-me a mim mesmo na minha exata dimensão e aprendo dar ouvidos ao meu Daimon conselheiro, pois, só ele, lá das profundalturas de onde vem e em plena sintonia com a música das esferas da qual comunga, sabe soprar em meus ouvidos o vento do divino som, e me orienta a distinguir o falso do real, ensina-me a separar o todilusório dos valores mundanos do único tesouro verdadeiro que existe, precioso dom a ser conquistado, sem o qual alma alguma transpassará com leveza e alegria as Portas do Celeste Reino.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Mundo Matemágico &amp; Magilógico de Escher</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 16:11:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alan Rodrigues de Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetextos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetos]]></category>

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		<description><![CDATA[O MUNDO MATEMÁGICO &#38; MAGILÓGICO DE ESCHER
Havia chamado algumas duas ou três amigas queridas a me fazerem companhia à exposição. Cada uma delas, por diferentes razões, declinou-me o convite. Minha filha, 13 anos, já houvera ido – fizera-o duas vezes, com a mãe e com a escola &#8211; e me seduzira com seu extasiante relato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;">O MUNDO MATEMÁGICO &amp; MAGILÓGICO DE ESCHER</span></h3>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>Havia chamado</strong></span> algumas duas ou três amigas queridas a me fazerem companhia à exposição. Cada uma delas, por diferentes razões, declinou-me o convite. Minha filha, 13 anos, já houvera ido – fizera-o duas vezes, com a mãe e com a escola &#8211; e me seduzira com seu extasiante relato do extraordinário que enxergara. Não podendo deixar passar em branco o delicioso domingo de outono, para lá me dirigi assim mesmo, sozinho, a constatar como se tornam mais enfadonhas essas longas filas de entrada que demoradamente suportamos sobre a solidão das próprias pernas que, firmes ali, por quase duas horas me mantiveram apreciando a mesmice das pessoas todas, vestindusando suas frases-chavão, afeitas ao esperado dominical comportamento.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>Mas, ao entrar no Museu,</strong></span> ainda que o massivo traçado da turba a subir e descer de modo autômato aquelas escadarias todas dos quatro nobres andares do velho e restaurado prédio traduzisse a litografia comprovadamente viva de sua <em><a href="http://www.amigodaalma.com.br/2010/07/18/relatividade-de-escher/" target="_blank">Relatividade</a></em>, conforme Escher a eternizou em 1953, ao passar pela cancela do sonho impossível a mim se descortinou um novuniverso, todo ele feito de originais silencimagens, de viagens profundinauditas a um mundinédito e dinâmico, jamais pensado e em tudo diferente do óbvio cartesiante. Sim, eu fora de imediato sequestrado pela genialidade de Maurício Cornélio Escher (1898-1972), a nos levar por suas mãos, por suas linhasentrelinhas a conhecer e vislumbrar as infinitas realidades cabíveis por trás do ilusório jogo cósmico de Mahalilah, por trás do espelhordinário que nos finta quanto às certezas dos rostos da face que nele enxergamos a cada prismolhar que lhe damos, seja de frente, de soslaio, de esguelha ou de relance (isto sem falar nos olhares que podemos dar de costas).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>E foi assim,</strong></span> meio sem querer e quasolhando de costas que, no corredor elíptico do segundo andar, ao sair do espetacular filmanimado 3D de oitinfinitos minutos, me deparei com Alan Rodrigues, enxadrista dos tempos de Colégio, confrade de Ordem, hoje engenheiro e pianista-mor dos saraus que promove em sua casa. Absorto a tomar nota, o amigo era um único perplexabsorto diante das simetrias e escorregamentos das litogravuras, pasmo que estava frente às experiências de Escher com limites circulares a envolver anjos e demônios, também peixes e planárias, entre outros elementos figurativos. Alan, tanto quanto eu discípulo do sonetista Christiano Sotero, também nosso mestralquimista, achava-se ensimesmado, bloco de papel nas mãos. Acercando-me discretamente do colega vi que rabiscava por diferentes perspectivas os cinco sólidos de Platão sobre o papel em que tomava notas. Aproximei-me ainda um pouco e ele, surpreso ao me notar, exclamou:</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>&#8211;</strong></span> Você por aqui,&#8230;?! (e como vocativo valeu-se de meu nome de TAO – Tradição Alquímica do Ocidente).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>&#8211;</strong></span> Nem era pra menos, maravilhando-me de leste a oeste, seguindo as esotéricas pegadas deixadas por Escher; e é preciso abrir bem os olhos para não nos perdermos em seu declinado caminho.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>&#8211;</strong></span> Sim, e nosso mestre holandês as transformou em passos e reflexos e as repartiu em múltiplos esquadros de divinas formas&#8230; tudo aqui é um só fantástico espelho de Alice, portal aberto ao imponderável assombro que reside oculto além dos sagrados véus de Ísis.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>&#8211;</strong></span> Agora compreendo porque é que vim parar aqui sozinho, confessei a Alan, era para ter mais este insólito encontro com o amigo, tomarmos quem sabe um café ali embaixo, entre colunas.  </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="color: #bfc23d;"><strong>E nos dirigimos</strong></span> saudosamente conversando de volta ao térreo, valendo-nos das escadas de emergência que se achavam livres, posto que as outras estavam tomadas pelos robotizados autômatos, cada qual vivendo sua paralela realidade, além de que os elevadores tinham filas de dar voltas de cima abaixo nesse mundo&#8230;, e foi assim, discretamente, que chegamos ao rés do chão, a fim de visitarmos a livraria e tomar ao lado dela um capuccino. À mesa, repassadas algumas memórias do tanto de coisas que já fizemos juntos, Alan me abriu seu bloco, revisitou algumas anotações e destacou-me a folha em que havia este soneto, feito ali naquela tarde, entre imagens e viagens, entre gentes e gravuras, entre muitos e ninguém, entre seres vivos e robóticos, peça própria de quem se sabe iniciado nos Mistérios. Pedindo-lhe a devida autorização, publico-o aqui, <em>avant-première</em>, em nossa galeria (e sendo impossível ilustrá-lo devidamente, escolhi alguma coisa do conjunto que lhe seja ou soe pertinente):</p>
<div id="attachment_4865" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a rel="attachment wp-att-4865" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/05/29/o-mundo-matemagico-magilogico-de-escher/escher9-autorretrato-no-espelho-esferico-litografia-1950/"><img class="size-medium wp-image-4865  " title="Escher9- Autorretrato no espelho esférico, litografia, 1950" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Escher9-Autorretrato-no-espelho-esférico-litografia-1950-200x300.jpg" alt="Autorretrato no espelho esférico, litografia, 1950" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Autorretrato no Espelho Esférico; litografia, 1950</p></div>
<div id="attachment_4868" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-4868" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/05/29/o-mundo-matemagico-magilogico-de-escher/escher7-outro-mundo-xilogravura1947-3/"><img class="size-medium wp-image-4868  " title="Escher7-Outro Mundo-xilogravura,1947" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Escher7-Outro-Mundo-xilogravura19472-300x300.jpg" alt="Outro Mundo-xilogravura,1947" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Outro Mundo; xilogravura,1947</p></div>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span><span style="color: #bfc23d;"> </span><span style="color: #bfc23d;"> </span><span style="color: #bfc23d;"> </span><span style="color: #bfc23d;"> </span></p>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"> </span></h1>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;">SONETOGRAVURA</span></h1>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Discorrendo sobre Escher de ilusórias<br />
linhas são percepções de não traçadas<br />
linhas de visão minhas abraçadas<br />
planespacinfinitipersensórias&#8230;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Meu microtelescópio de engraçadas<br />
imagens, facespelho em promontórios,<br />
são concaveconvexos palavrórios,<br />
pegadas que se fazem descalçadas.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Os planos se sucedem aforespaço,<br />
as linhas criam vida permanente,<br />
mistérios desafiam mestremescher&#8230;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Dados de Platão, sólido presente,<br />
sou divinestad’almestrela Vésper,<br />
crepúsculo da aurora que eu disfarço!</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #bfc23d;"><strong>Alan Rodrigues de Carvalho</strong></span></p>
<address style="TEXT-ALIGN: center">Na metamorfescher de 22 de maio de 2011,<br />
sonhandassombrado pelo insolituniverso<br />
das litoxilogravuras expostas.</address>
<address style="TEXT-ALIGN: center"></address>
<address style="TEXT-ALIGN: center">
<div id="attachment_4891" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><a rel="attachment wp-att-4891" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/05/29/o-mundo-matemagico-magilogico-de-escher/escher6-poca-d-agua-1952-0-25/"><img class="size-medium wp-image-4891  " title="Escher6-Poça d' água-1952.0.25" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Escher6-Poça-d-água-1952.0.25-300x222.jpg" alt="Poça d'água-1952" width="270" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Poça d&#39;água; xilogravura,1952</p></div>
<div id="attachment_4892" class="wp-caption alignright" style="width: 280px"><a rel="attachment wp-att-4892" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/05/29/o-mundo-matemagico-magilogico-de-escher/escher8-desenhando-litogravura-1948/"><img class="size-medium wp-image-4892  " title="Escher8-Desenhando (litogravura),  1948" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Escher8-Desenhando-litogravura-1948-300x225.jpg" alt="Desenhando (litogravura),  1948" width="270" height="203" /></a><p class="wp-caption-text">Desenhando; litogravura, 1948</p></div>
</address>
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		<title>Eu e o Louva-a-deus</title>
		<link>http://www.amigodaalma.com.br/2011/04/22/eu-e-o-louva-a-deus/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Apr 2011 18:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Urban</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetextos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonetábula]]></category>
		<category><![CDATA[Taoísmo]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu e o Louva-a-deus 
(Um sonetexto sonetábula: uma fábula em soneto)
Quando encontrei o louva-a-deus, mãos postas ele estava como soem fazer estes bichinhos, nem percebi que era insólito o meu matinal encontro aqui, à beira da piscina, em meu quintal.
Quando percebi que ele me falava, foi que vi que ele não era outro senão Chuang Tsé, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #00ff00;">Eu e o Louva-a-deus</span><span style="color: #00ff00;"><strong> </strong></span></h2>
<p style="text-align: center;">(Um sonetexto sonetábula: uma fábula em soneto)</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #00ff00;"><strong>Quando encontrei o louva-a-deus</strong></span>, mãos postas ele estava como soem fazer estes bichinhos, nem percebi que era insólito o meu matinal encontro aqui, à beira da piscina, em meu quintal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #00ff00;">Quando percebi</span> </strong>que ele me falava, foi que vi que ele não era outro senão Chuang Tsé, o mais próximo e autorizado apóstolo do Velho Sábio Lao-Tsé; sim, e bem aqui, sentadinho sobre a relva do jardim. Platão já houvera dito que as almas dos austeros trabalhadores reencarnam feito abelhas; talvez o mestre concordasse que os louva-a-deus devam ser, pois, a reencarnação dos sábios monges, daqueles que sabem orar e que, em seu silêncio, nos ensinam a escutar o vazio tão repleto de Deus. E o verde monge, esquálido mas perfeito em sua disciplinada postura, assim me falou: &#8220;&#8230; que todo poeta deve ser simples e grande como o mar, mover-se de acordo com o espontâneo ritmo das ondas que em seu movimento ininterrupto surgem umas sobre as outras para logo mais deixarem de existir, em consonância com o movimento sempre sem esforço que é o Tao, e que toda poesia, quando verdadeira, nada mais é que o som do coração.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #00ff00;"><strong>E assim foi</strong></span> que comecei meu dia, esta Santa Sexta da Paixão, por acaso, também dia do Descobrimento e aniversário de uma menina muito querida, rezando profundamente em Cristo e ouvindo o que me disse o louva-a-deus, que nunca ouvira falar de Jesus em toda a sua vida, garantiu-me, mas que mesmo assim se mostrava salvo por saber viver feliz seus dias.</p>
<p style="text-align: center;"> <a rel="attachment wp-att-4765" href="http://www.amigodaalma.com.br/2011/04/22/eu-e-o-louva-a-deus/louva-a-deus1/"><img class="size-full wp-image-4765 aligncenter" title="Louva-a-deus1" src="http://www.amigodaalma.com.br/wp-content/uploads/Louva-a-deus1.jpg" alt="Louva-a-deus1" width="350" height="235" /></a></p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #00ff00;">MONGE VERDE</span></h2>
<p style="text-align: center;">Atormentado estava em labirinto,<br />
sentei-me a meditar em meu jardim,<br />
e os sonhos se fizeram de cetim<br />
de um perfumado em rosa, qu&#8217;inda eu sinto.</p>
<p style="text-align: center;">E o monge se sentou perto de mim,<br />
mãos postas, patas verdes, verde tinto,<br />
falou-me o louva-a-deus, juro, não minto,<br />
mimetizado à relva do capim:</p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;Por que tanta inquietude, amigo moço?<br />
Soubésseis que esta vida é breve história<br />
jamais vós sofreríeis em</em> sine die&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><em>A morte vos será mistério e poço,<br />
e tudo o que levardes n&#8217;alma é a glória<br />
de terdes bem vivido em </em>carpe diem<em>!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #00ff00;"><strong>Paulo Urban, Sonetista do Aquarismo<br />
</strong></span>22 de abril, MMXI<br />
15h33min &#8211; sexta-feira da Paixão</p>
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