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Marcos Torrigo

 

 

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Marcos Torrigo



 Comentário de Paulo Urban sobre o mais novo lançamento de Marcos Torrigo:


O UNIVERSO É UM HOLOGRAMA


Um novo tempo decididamente se anuncia!
Uma nova Era da humanidade tem se manifestado, fazendo-se sentir mais intensamente em todas as áreas do conhecimento desde meados do século passado. Não se trata de uma simples nova ordem social, mas de um novo modelo cósmico emergente.
   
Os físicos teóricos revivem a alucinada corrida do ouro em busca de um modelo padrão que explique o “Universo Unificado”. A expressão é curiosa, de fato um pleonasmo; ao que parece, os cientistas estão se dando conta de que os antigos escolheram não por acaso esse nome para com ele batizar o Cosmos.
  

As culturas ancestrais, invariavelmente, em suas muitas e semelhantes cosmogonias estavam imbuídas da fundamental concepção de que tudo no Universo acha-se intimamente ligado,  de que não só o ser  humano nunca


Marcos Torrigo

esteve separado da natureza, senão que todas as partes componentes do todo estão de alguma forma em permanente comunicação entre si e que, por conseguinte, qualquer partícula diminuta pode bem representar o todo transcendente. Haja vista que o termo universo sempre trouxe semanticamente a idéia do Todo Absoluto, como bem soube dizer, em 1803, o poeta William Blake: To see a world in a grain of sand.

Ademais, penso que Heráclito e Parmênides já podem encerrar sua clássica contenda filosófica e juntos abraçar amigavelmente esta nova concepção cosmológica, afinal, o Universo está aberto para todos ao mesmo tempo que é fechado nele só; ainda que infinitamente desconhecido de nós, dado às suas múltiplas manifestações e sempiternas mudanças macro e microcósmicas que desafiam nossa capacidade de exploração e entendimento, seu nome traz o inequívoco conceito de algo inteiramente pleno de si mesmo, essencialmente dotado de uma única e absoluta natureza:
Uni = um + verso = versão; conforme o ratifica cada vez mais a física moderna em seus experimentos de investigação dos fenômenos imponderáveis.

O polonês Dr. Jacob Bekenstein, professor na Universidade Hebraica de Jerusalém e membro da Academia de Ciências da Humanidade de Israel é um dos físicos teóricos que primeiramente apontam para essa nova tendência científica em aceitar o Cosmos como um sistema holográfico, constituído essencialmente de informação que continuamente se deposita e se renova por meio de uma escala quântica imponderável de interação, sendo matéria e energia suas meras entidades incidentais. Segundo Bekenstein, detentor do prêmio Rothschild por seus estudos a respeito da termodinâmica de buracos negros e sua relação com a teoria da informação e a gravitação universal, nosso Universo poderia nada mais ser que a projeção holográfica de campos quânticos capazes de imprimir em todos nós a ilusão de uma realidade virtual na qual, ignorantes disso tudo, vivemos a temporaneidade da existência.

Incrivelmente, a idéia nuclear do hinduísmo prega ser a realidade uma grande roda de ilusão, construída por artifício de nosso próprio ego e alimentada por nossos humanos desejos, dita Roda de Samsara, à qual vivemos presos posto que estamos inexoravelmente atrelados a seu movimento circular contínuo, por meio do qual tudo se cria em nosso mundo aparente concomitantemente ao tempo em que se destrói, consoante os passos da eterna dança de deus Shiva, uma das três entidades da divindade absoluta, responsável por fazer morrer o velho e (re)nascer o novo.
 
Pode aqui o leitor descobrir o porquê do extraordinário sucesso de Matrix. A fantástica trilogia soube brilhantemente tirar proveito dos velhos e metafísicos enigmas sob as tecnológicas vestes da mais avançada cibercultura, projetando nas telas do cinema os principais arquétipos que compõem os mitos de nossa enigmática condição humana, sempre a esbarrar em paradoxos que envolvem nossa dificuldade científica e filosófica em saber distinguir essencialmente o que é sonho daquilo que é realidade, o que é virtual daquilo que tem existência, ou ainda, mais cruel, o que é a vida daquilo que é a morte.

Um dos melhores livros que primorosamente revira essas questões, recentemente lançado pela Editora Madras, é Universo Holográfico, de Marcos Torrigo. A convite do autor escrevi algumas linhas em sua 4ª capa: Este livro é um holograma que se lê: cada capítulo, cada página, cada linha, cada letra; tudo nele (re)vela essencialmente o descortinar de uma surpreendente Nova Era!
 
Marcos Torrigo soube amarrar em seu ensaio literário um fascinante universo holográfico. Numa mixleitura lucidalucinante somos levados pela segura companhia do autor a penetrar nos guetos da cibercultura e do mundo ciberpunk, mais que isso, seu livroholograma passa por estradas da sabedoria arcaica e por caminhos futuristas, condensa numa mesmimagem o mítico e o tecnológico, a mecânica quântica e o xamanismo, e faz-se operar tanto pela magia quanto pela ciência, permitindo-nos refratar sua luz tanto pelo prismolhar da ficção científica como pelos fatos da real humanistória. O texto de Marcos Torrigo é um apropriado holograma da Era de Aquário, e nos permite viajar em sua luminescência enigmática, sempre a mesclar nossa estranha realidade à virtualidade da existência.
 
A obra, convidativa, fácil leitura, um opúsculo de 96 páginas, bem se assemelha ao canto do rouxinol do imperador chinês (a propósito uma lendária alegoria da qual se vale o autor), que melhor pode trazer aos nossos ouvidos entorpecidos pela dura realidade, a beleza da vida de que há muito nos esquecemos sempre que deixamos de perceber com sensibilidade a linguagem naturalmente sagrada do mundo à nossa volta.
 
O alemão Werner Heisenberg (1901-1976), um dos pais da física quântica, autor de seu desconcertante “Princípio da Incerteza”, disse certa vez que “o homem, ao examinar a natureza e o universo, em vez de encontrar fenômenos objetivos, encontra-se a si mesmo”. Wolfgang Pauli (1900-1958), físico austríaco, inspirado nesta máxima e fortemente influenciado pelas conquistas da psicologia analítica de Carl G. Jung (1875-1961), foi outro dos que seriamente se preocuparam em considerar a natureza “a priori e eminentemente psicológica” de muitos dos fenômenos observados no campo científico, em experimentos que procuram explicar a realidade. Pauli foi um dos ilustres analisandos de Jung, e se reconheceram mutuamente como promulgadores de idéias bastante originais, curiosamente complementares entre si, ainda que firmadas em terrenos distintos do conhecimento humano. Ambos comungavam da idéia de que um bom modelo para o entendimento do Universo não poderia deixar de lado esta notável complementaridade existente entre a Psicologia Analítica e a mecânica quântica, cujas posturas enxergam uma íntima relação entre o universo psíquico e o nosso mundo físico.

Hoje, a mecânica quântica atesta nossa atuação como co-criadores do universo. Participamos de todos os fenômenos que observamos e seria infantil se julgássemos que estamos de fora deles, assumindo um olhar meramente expectante. Somos, por conseguinte, os maiores responsáveis pela realidade que criamos! “Tudo leva a crer que nosso cérebro seja um processador de dados”, diz Torrigo em seu Universo Holográfico; “o cérebro captaria inúmeras freqüências dimensionais, faria a leitura e as re-arranjaria para criar a realidade”. Mais adiante, ele nos conta: “Os universos são como uma grande teia tecida pela aranha do destino; cada fio está interligado ao outro. Quando um é tocado, a impressão é passada a todos os demais. Qualquer mudança reverbera na teia inteira, o que faz lembrar a filosofia tântrica”. Fascinante, não?
 
Cabe aqui o clássico exemplo da física contemporânea: da mesma forma que a luz só pode ser melhor compreendida pela microfísica quando esta se propõe a estudar a natureza do fenômeno luminoso como algo ambivalente e contraditoriamente dotado de onda e partícula, em extensão aos paradoxais conceitos explorados pelo pensamentalquímico de Jung, ouso dizer que entre matéria e psiquismo não deva haver sequer diferença, sendo ambas essas instâncias nada mais que manifestações complementares (ainda que contraditórias também) de um mesmo manancial psiquicuniversal e energético.
 
Destarte, por mais que avancemos na área da especulação quântica científica, jamais estaremos tão perto de um modelo que nos resolva as principais equações do cosmos holográfico, enquanto nossos pesquisadores teóricos não tiverem a sensibilidade de procurar conceber um universo subatômico e energético essencialmente dotado de natureza psíquica.
 
Logo, não deveríamos estar buscando somente um novo modelo cósmico, senão algo verdadeiramente holográfico, dentro de padrões (meta)físicos sem estreitos horizontes e de múltiplas dimensões que pressuponham um verdadeiro modelo psicocósmico emergente.
 
Conforme segue resoluta a carruagem das Eras, é seguro que chegaremos mais cedo ou mais tarde a nos deparar com esse novo padrão cosmogônico revolucionário - a ciência já faz o alarde de que irá atingi-lo em 2050(!), pena que o anuncie mais com bases em sua sólida e histórica pretensão positivista do que humildemente diante de suas desconcertantes e surpreendentes descobertas. Também é certo que esse novo padrão estará centrado sobre paradigmas que o sábio Isaac Newton nem teve a chance de conceber, também sobre conceitos psicológicos que nem mesmo Freud, do alto de sua estupidarrogância dogmática, saberia imaginar. Isto porque a física e a psicologia profunda têm muito a oferecer desde que andem juntas, de mãos dadas procurando tocar por todas as faces possíveis a virtualidade do holograma cósmico que nos prende em sua imagem. E é claro, a ciência, ainda que resolva estes próximos e tão arcaicos mistérios, dará de novo com os burros n’água se considerar que suas teorias possam um dia explicar tudo. Nem Freud explica tudo(!), embora assim pensasse.
 
Como diria o sábio Jung, nossas últimas verdades serão sempre nossas penúltimas certezas. E este texto nada mais é que um holograma, que se dê a ele somente sua diminuta importância necessária! O que vale mais é ler o livro de Torrigo, na sala de leitura Portal da Nova Era! 

Paulo Urban


Veja outros livros publicados por Marcos Torrigo:
  
Rituais de Aleister Crowley
Vampiros, Rituais de Sangue
O Universo Holográfico  
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Editora Madras

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