Contatos:
  
    
(31) 3351 59 61
 9184 54 38

Visite o site:
www.diovvani.com.br

  
www.amigodaalma.com.br
www.paulourban.com.br  
  Esteja também com outros convidados  Índice dos Convidados

 

 

  

Página  Principal
 
  
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sala de Visitas  
Diovvani Mendonça  


Mandala Sonora

Quando um pássaro de fogo te traz no sol da meia-noite uma lembrança

CD de Diovvani Mendonça - compositor e cantor
Confira a crítica de Paulo Urban ao primeiro CD de Diovvani Mendonça

Diovvani Mendonça, após um longo e produtivo processo de experiências e busca espiritual, marca seu ingresso na maturidade musical editando seu primeiro CD: "Mandala Sonora - quando um pássaro de fogo te traz no sol da meia-noite uma lembrança".

As imagens poéticas incomuns suscitadas pelo título pronunciam-se por todas as 13 faixas deste trabalho sonográfico, afinado com as inovadoras tendências que vemos despontar no psiquismo coletivo, prenúncio de um novo movimento artístico-cultural sintonizado com os eflúvios de uma Nova Consciência planetária.

Ninguém escapa da mira a laser da verdade, diz o músico, também letrista, em "Ano Zero", preocupado em demarcar cirurgicamente o imponderável ponto de onde partem suas especulações filosóficas que se desdobram em puras pétalas de lótus musical ao longo da viagem "mandaláctea" que seu disco propõe: em olhos ateus, nos olhos de Deus se escondem paisagens, Universos paralelos que ainda explodirão; anuncia em tom lúcido profético o compositor, fazendo de sua "Mandala Sonora" um exercício acústico de peregrinação que se abre para o inaudito, num corajoso salto abismal no vazio que nos separa de nós mesmos.

Fazendo jus ao nome da cidade em que nasceu, Belo Horizonte (MG), em sua espontaneidade Diovvani descortina um novo tempo, uma nova ordem psico-musical que nos leva a enxergar adiante sem estreitezas, ao mesmo tempo que nos abre as portas de um templo sagrado de inquietudes que buscam resolver-se na transcendência, quem sabe prerrogativa dos arautos natos que, como ele, trazem desde a pia batismal o nome de Deus gravado no próprio vocativo.

E é nesta senso-espiritualidade despretensiosa, a permear toda sua Mandala Sonora, que somos convidados a dar o segundo passo no caminho, que nos lança à nostálgica e sensualíssima peça musicada por Cláudio Carvalho, antigo parceiro, com quem há mais de uma década Diovvani tem gravado vários de seus trabalhos.

Ao som da batida urbana a sugerir a roda mandálica da vida que nos envolve neste mundo de ilusões, Diovvani conjuga na terceira faixa de seu disco uma aguda crítica social, aglutinando numa ousada construção poética dois ícones míticos de arquetípica relevância: Pandora e a Mulher-Aranha; a primeira ingenuamente disposta a soltar de sua terrível caixa todas as mazelas espirituais que nos assombram; a segunda, em sua maldita arte de seduzir o ego, entretida em tecer sua teia de infortúnios, um verdadeiro espinho de peixe cravado na garganta da ilusão; ... cujo labor ininterrupto injeta veneno em nossas veias; numa metáfora causticante a desvelar o que há de podre no reino da rede internáutica, capaz de nos sugar a alma tornando-a exangue na virtualidade do sexo mecânico, despido de sua sacralidade, ou na artificialidade do dinheiro que sustenta as tetas de silicone, ou ainda na superficialidade vazia que engorda as páginas da revista Caras e em tudo mais aquilo que uma sociedade decadente prestigia, desde que centrada na materialidade espúria que nos engana quanto ao verdadeiro sentido da vida. Ao invocar Pandora, o compositor nos impele à lembrança que somente a esperança, arquétipo imortal, pode salvar-nos a alma "transiludida", cada vez mais enredada nas armadilhas do desejo.

Aliando técnica e sensibilidade, Diovvani nos leva à 4ª sala de sua Mandala com a coragem dos grandes, propondo-se a uma das mais difíceis tarefas: musicar um soneto. O mestre ao qual o músico rende homenagens é o paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), o mais lido e menos compreendido dos poetas brasileiros, dotado de uma verve tão profundamente maldita quanto espiritualizada, que, em "O Lamento das Cousas" nos leva a penetrar no âmago das potências criadoras do Universo, conclamando-nos a abrir nossos corações para que ouçamos, pancada por pancada, na sucessividade dos segundos, o cantochão dos dínamos profundos, presente no desejo cósmico que habita essencialmente todas as coisas manifestas.

Vandder Lima, jovem talento, arranjador inspirado, introduz na base do texto augustiano um maquinário acústico-eletrônico, um moto-perpétuo da vida, alusão ao dínamo profundo que o poeta ouvia ao compor este soneto, uma de suas Obras-Primas, a retratar em 14 versos decassílabos heróicos toda a dinâmica latente no seio da Criação.

A Mandala evolui desta dimensão de inquietude que procura a transubstanciação dos instintos para um texto que expõe o tempo como nosso grande "Companheiro de Viagem", a traduzir-nos a sábia lição de que a espera faz parte do caminho. Na dialética da real virtualidade do tempo, e no melhor dos estilos da música esotérica de Raul Seixas, Diovvani encarna o roqueiro iniciado e nos leva no ritmo fluente de sua Mandala, a penetrar no segundo que antecede a explosão do Big Bang, na imprevisibilidade do próximo gesto da força criadora, no desejo de que a eternidade seja a nossa casa, num tom filosofal que expõe nossa temporaneidade, a efêmera condição humana, confrontando-a ao rasgo de incomensurabilidade cósmica que encontramos em cada curva do caminho.

E bem no meio de nossa senda iniciática, damo-nos conta de que nada mais somos que "Andarilhos das Estrelas", nada além de peregrinos montados, entretidos em meter a espora num cavalo de aço, a fim de percorrer todo momento em busca do Nirvana, na tentativa de abrir o portal do tempo e vencer distâncias estelares que nos separam de nós mesmos.

Estamos no clímax de Mandala Sonora, momento crítico de toda a obra, não por acaso ilustrado pela artista plástica Mônica Facó, inspirada criadora de mandalas, máscaras e talismãs, iniciada nos mistérios, nobre amiga de almas nobres, que lança luz em nossa trilha por meio de sua mandala especialmente feita para acompanhar esta música, a nos servir de mapa para que possamos percorrer também as demais áreas deste disco sem que nos esqueçamos do fulcral centro da vida, em torno do qual se organizam harmonicamente todas as mandalas da existência.



 
Mandala Andarilho das Estrelas

Resgatando a verve psíquica de Augusto dos Anjos, Diovvani descarrega a maldição de que somos dotados, interrogando em "Vírus" o próprio Cogito de Descartes. "Vírus" expõe a ferida existencial que trazemos desde a Origem, traduzida pela dor lancinante de sermos corpos sublimados por nossas almas, conquanto somos almas densificadas em corpos sobre os quais pesa esta nossa dura e crua condição que nos obriga a viver feitos faunos pensadores.

"Vírus" nos arremeda ao abismo, projeta-nos em busca do antídoto que talvez nem exista, enquanto o tempo da ampulheta escorre, e o pensamento nos arrasta para o alto da torre. A composição é a dicotomia da dúvida dolorosa que encarcera nossa metade humana na metade eterna, enquanto as cordas graves de um cello semidivino (arranjo de Vandder Lima) fazem contraponto às nossas angústias, numa alusão ao estado denso de reflexão, lúmen-interregno onde incertamente esperamos confrontar as nossas almas. O exercício de introspecção segue em "Acorde do Silêncio", ao som de um sax filosofal, que responde ao cello por metáforas de um aveludado metálico, dizendo-lhe que ao ir embora, não deixe de apagar a luz das estrelas, sem contudo se esquecer de acender o sol, tangenciando a imagem invocada pelo subtítulo da obra.

"Te Encontrei pelo Mundo" retorna à sensualidade declarada em "Minha Janis", explorando o que de melhor permite uma mandala, circular por temas e quadrantes que simétrica e homogeneamente relacionam-se entre si. Nesta nona casa, o compositor revive o espírito mouro, exalta a vida nômade e a entrega plenamente ao amor, antes transpirado pela sexualidade das faixas 2 e 3, ora textualizada em seu caráter de magia e pureza.

A décima faixa recebe uma especial contribuição do produtor e arranjador Vandder Lima, que, com seus "Olhos Negros" permite a Diovvani apresentá-los em tom declamatório, nítida influência de Renato Russo em seu exercício de interpretação.

Serviço
   
Contatos:

diovvani@diovvani.com.br
(31) 3351 59 61
 9184 54 38
   

Visite o site do nosso convidado:
www.diovvani.com.br

   

Um blues todo envolvente é passagem para a décima-primeira sala da Mandala , uma "Introdução" instrumental ao tema seguinte "Cuidado, Cachorro Bravo!", oportunamente apresentado, a levantar questão acerca da roda que nos prende ao atropelo da vida, mesclando fantasia e realidade concêntricas ao ponto de onde tudo se origina e em torno do qual tudo se desdobra, por meio de sonoras e audíveis mandalas, que se amarram ao oroboro em constante mutação, a cada volta e a cada instante dando adeus ao que fomos um segundo atrás.

O percurso mandálico não estaria completo, entretanto, se não nos alçasse, após suas doze casas, à luminescência da metáfora que nos "mete afora" do círculo dimensional da existência, a fim de abarcarmos a totalidade das esferas transcendentes. Essa transposição do Cogito cartesiano ocorre justamente no salto quântico que nos aguarda na 13ª faixa (pois o 13 é por excelência o número que perverte a ordem), verdadeiro hino libertário, som diáfano e transparente, com o qual Diovvani Mendonça homenageia seu grande ídolo, o músico mineiro Marco Antônio Araújo, que, em 6 de janeiro de 1986, precocemente partiu para sua viagem absoluta, para além de todas as mandalas sonoras em busca do silêncio do Nirvana Universal. Marco Antônio Araújo, andarilho das estrelas, Prometeu da nova música, alimenta o fogo do pássaro que voa em pleno sol da meia-noite, em sua paradoxal missão de nos trazer lembranças (de um futuro que se aproxima).

Mandala Sonora enfim é isso: uma dança circular em torno de nós mesmos, uma trilha em busca da essência perdida que só os artistas, músicos e poetas e pessoas realmente sensíveis sabem perceber e resgatar nos sonhos do caminho.

Comentário de Paulo Urban sobre o CD Mandala Sonora.

Página Principal                 Voltar ao Início