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Pitágoras
- Mestre Esotérico
Por
Paulo Urban
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Publicado
na Revista Planeta nº 336 / junho 2001
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As
verdades pitagóricas continuam vivas no seio das assim
chamadas Escolas de Mistérios de nossa época.
Também a física moderna demonstra que os átomos
pulsam; portanto a matéria tem freqüência
e toda a natureza se traduz por números.
E Pitágoras foi primeiro quem o disse!
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Foi
em Crotona, cidade dórica da Magna Grécia situada no
golfo de Tarento, no sul da península itálica, que Pitágoras,
já por volta de seus 55 anos de idade, fundou sua Escola de Mistério.
O pitagorismo fazia preservar tanto a milenar tradição grega
dos ritos órficos de iniciação, como detinha outros
segredos que o mestre fora buscar no Egito e no Oriente Médio ao
longo de 34 anos de andanças e exílio.
O Senado de Crotona, em princípio contrário à
fundação da Escola, aquiesceu após ouvir do mestre
uma explanação acerca de seus propósitos de formar
um instituto voltado à formação dos jovens, preparando-os
para uma vida regrada nos princípios da moral e da justiça,
para que melhor pudessem servir à sociedade e ao Estado. Por detrás
desta determinação pedagógica estava a pretensão
de melhorar sensivelmente o mundo a partir da transformação
de cada ser humano, de modo a fundamentar gradativamente sobre os ideais
filosóficos e religiosos do orfismo toda uma complexa organização
política que, começando por Crotona, poderia estender-se
pelas demais cidades de todo o império grego. Pitágoras,
com sua eloqüência sincera os convencera a todos, mostrando
que longe de ameaçar a Constituição de Crotona, a
criação de sua Escola prestar-se-ia mais a alicerçá-la.
Com apoio dos cidadãos mais ricos e dos mil políticos
mais influentes (os do Conselho de Crotona), em poucos anos o instituto
pitagórico estava erguido. A população que o freqüentava
batizou-o de Templo das Musas, posto que as nove musas das artes e das
ciências achavam-se representadas em seus jardins, todas voltadas
para a estátua de Héstia (Vesta para os romanos), musa central
que simbolizava o fogo sagrado, para Pítagoras o princípio
eterno de todas as coisas manifestas. No Templo de Héstia, a chama
sagrada era mantida permanentemente acesa, alimentada pelos discípulos,
a representar a luz da divindade maior, cuja imanência de vida a
tudo sempre perpetrava. O instituto pitagórico, se funcionasse
hoje, seria declarado serviço de utilidade pública, pois
além de servir como escola de jovens e academia de ciências,
mantinha seus imensos pórticos sempre abertos, e seu amplo espaço
delimitado por cerca viva de heras recebia diariamente pessoas que ali
vinham passear e ouvir preleções, principalmente se proferidas
por seu enigmático mestre, cuja personalidade se mostrava ao mesmo
tempo austera e carismática, e cuja sabedoria sustentava-se sobre
milenares verdades.
Pitágoras
nasceu por volta de 580 a.C., em Samos, uma das ilhas gregas do mar
Egeu. Mnesarco, seu pai, era ourives; sua mãe, Partênis,
cuidava do lar. Durante a gravidez, o casal fora se consultar com o Oráculo
de Delfos acerca do esperado nascimento, e a pitonisa lhes teria dito:
"Vosso filho será aquele que nos será útil a
todos e por todos os tempos!". Tendo completado seu primeiro ano
de vida, em cumprimento à promessa que fizera em Delfos, sua mãe
levou o menino para ser abençoado no Templo de Adonai, situado
em terras que hoje são o Líbano. Ali, o sacerdote soltaria
a semente de seu destino: "Foi dos céus que tu vieste, e tua
alma banhar-se-á na luz que nasce no oriente". Dezoito anos
mais tarde, sempre educado por bons professores que a profissão
de seu pai garantia pagar (dentre eles o sábio Hermodamos), e notado
por muitos como gênio precoce, já que discutia com Tales
e Anaximandro, ambos mestres em Mileto, Pitágoras sentiu o forte
desejo de procurar a fonte da sabedoria, o berço de onde saíra
o primeiro rebento da verdade. Refletindo sobre a máxima do Templo
de Adonai, inúmeras vezes sussurrada por sua mãe em seus
ouvidos, o jovem decidira-se: "Vou para o Egito!".
Por essa época, o tirano de Samos, Polícrates, era
amigo de seu pai. Por coincidência, o governante tinha boas relações
com o faraó Amasis, pois se estimavam mutuamente, e apressou-se
em dar ao prodigioso rapaz uma carta de recomendações com
seu timbre pessoal, pedindo que fosse educado pelos melhores sacerdotes
de Amon. Amasis o recebeu com simpatia. Pitágoras levou a ele três
peças de prata como cortesia, feitas por seu pai, e recebeu em
troca uma viagem a Heliópolis, onde seria admitido nos Mistérios.
Mas os sacerdotes egípcios, não acostumados a partilhar
sabedoria, mostraram-se reticentes em relação ao estrangeiro,
principalmente por se tratar de um grego, de cujas intenções
os egípcios sempre desconfiavam. Ironicamente, pronunciaram-se
incapazes de ensinar alguma coisa àquele que já era tido
como um dos maiores sábios de Samos, ainda que tão jovem.
Remeteram-no então aos pontífices de Mênfis, mais
velhos e experientes, para que pudessem cumprir os desígnios do
faraó. Estes, por sua vez, fizeram o mesmo mandando o rapaz a seus
superiores, os severos sacerdotes de Tebas, que, estando no topo da escala
de importância, mesmo a contragosto, acabaram tendo de aceitar o
aprendiz. Com o passar do tempo, entretanto, Pitágoras caiu nas
graças de seus preceptores, os quais passaram a enxergá-lo
como autêntico neófito, capaz de enfrentar as provas com
coragem e disciplina. Por isso foi considerado merecedor dos segredos
iniciáticos a envolver os ensinamentos do Livro de Thot (ou de
Hermes Trimegistus) além da prática de magia e teurgia.
Seu aprendizado no Egito duraria 22 anos, durante os quais pôde
aguçar seu senso de determinação. Encontrou na ciência
dos números a compreensão do universo, e na arte de treinar
a vontade, uma preciosa chave dos Mistérios.
Já pensava em retornar à Grécia quando o Egito
sofreu a conquista dos persas, chefiados por Cambises, que ostentava as
coroas de Nínive e da Babilônia. Os templos de Mênfis
e de Tebas foram destruídos; o faraó Psamenit, sucessor
de Amasis, foi aprisionado junto de familiares e outros nobres, e morreram
decapitados. Mas ao deparar-se com Pitágoras, percebendo suas capacidades,
Cambises preferiu enviá-lo junto de outros sacerdotes à
Babilônia, para que lá permanecessem exilados.
Destarte, o destino reservara a Pitágoras uma espécie
de pós-graduação esotérica compulsória,
já que por outros cabalísticos 12 anos permaneceu preso
na antiga Babel, verdadeiro centro cosmopolita, onde persas, caldeus,
assírios, fenícios, tártaros, sírios e tantos
outros povos da Ásia Menor conviviam numa verdadeira miscigenação
religiosa e de costumes. Também judeus aprisionados por Nabucodonosor
aí se encontravam, nem por isso deixando de praticar seu culto.
O profeta bíblico Daniel, deportado à Babilônia em
587 a.C., é exemplo de judeu que, de escravo, foi promovido a ministro
do rei persa.
Pitágoras pôde então iniciar-se na astrologia dos
caldeus, confrontar sua geometria com a dos fenícios, e interessou-se
pela prática ocultista dos sacerdotes magi, uma das seis tribos
da Ásia Menor, expoentes na arte da magia, de onde, aliás,
se deriva tal palavra. Teria ainda, segundo alguns comentaristas, conhecido
pessoalmente o sábio persa Zaratrusta, que o influenciou notavelmente,
haja vista que vários aspectos dos ensinamentos de Crotona baseiam-se
na doutrina dualista, fruto da diferenciação do ponto primordial.
O filósofo Aristóteles, pouco mais tarde, comentaria o dualismo
pitagórico, segundo o qual a partir da unidade se depreenderia
toda a pluralidade das formas e coisas viventes. E nos cita fartos exemplos
dela em sua Metafísica I, 5: "delimitado, ilimitado; ímpar,
par; uno, múltiplo; direita, esquerda; masculino, feminino; imóvel,
agitado; reto, curvo; luz, trevas; bom, mau; quadrado, oblongo".
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