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Artigos |
Paulo
Urban |
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Mutirão - Escola da Vida
Por
Paulo Urban
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na Revista Planeta nº 336 / setembro 2000 |
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Escola
Mutirão
tels: (11) 4702-2551 (11) 4702 4578
Fax: (11) 4702 2245.
Dias úteis das 9 às 16 h
e-mail:
mutirao@escolamutirao.com.br
site: www.escolamutirao.com.br
A
escola prega a não violência, defende o ambiente, acredita
no ser humano e, mais do que ensinar, estimula seus
alunos a buscar incessantemente por respostas.
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Pouca
gente sabe, mas há uma escola diferente
de todas as demais, ainda que seja a mesma em relação a
si própria nas últimas três décadas, desde
quando pioneiramente abriu suas portas na Granja Viana quando a região,
àquela época, mal tinha iluminação pública,
nem asfalto. Hoje, várias escolas pululam nas vizinhanças.
Falar sobre ela é quase o mesmo que falar sobre as antigas
Escolas de Mistério, embora seja propriamente uma escola de educação
de curso fundamental e médio (como hoje chamamos os 1º e 2º
graus), também infantil.
Seus alunos não
moram na escola como o faziam os discípulos de Pitágoras,
ou da Academia de Platão, ou do Liceu de Aristóteles, mas
nela permanecem diariamente, das 9 às 16 horas, almoçam
e tomam lanche juntos, rodiziam-se para servir as refeições
(sempre naturalista, feita em fogão à lenha) e convivem
em harmonia em meio a cachorros, patos, esquilos, pica-paus amarelos,
uma família de papagaios que sobrevoa a região, e outros
animais. Têm aulas de sociologia, filosofia, expressão corporal
e outras tantas. A escola prega a não violência, defende
o ambiente, acredita no ser humano e, mais do que ensinar, estimula seus
alunos a buscar incessantemente por respostas.
É isso! Não é uma escola secreta, mas discreta.
Quase anonimamente se dedica de modo artesanal à formação
de cada um de seus alunos. Cumpre todas as exigências do programa
oficial de ensino mas, indo além, dá um toque mágico
pedagógico em seus jovens, e os prepara para a vida. Poder-se-ia
dizer que seu método de ensino seja holístico, ou que tenha
sido das primeiras a direcionar-se para os valores desta nova era de aquário,
mas nenhuma destas coisas a representaria essencialmente.
Desde quando começam a andar, e até a maturidade
juvenil, pré-universitária, seus alunos recebem lições
que vão do respeito pelos mais velhos até aulas de etiqueta
e cidadania, recursos estes que servirão para imprimir fora da
escola, em suas vidas, toda uma marca de personalidade bem formada, capaz
de assumir condutas éticas.
Cada árvore de seu bosque (a escola funciona numa chácara),
cada torrão de seus terreiros (amplos espaços usados para
as aulas de educação física, festas escolares e cerimônias
próprias que resgatam antigas tradições), cada pássaro
nativo (há de todas as cores), todos são testemunhas diárias
da presença de crianças risonhas que brincam entre si e
se respeitam com naturalidade.
O primeiro princípio pedagógico desta Escola começa
por seu nome: Mutirão. Além de significar mero grupamento
de pessoas, o nome representa a união de ideais, a soma dos esforços
envolvidos na realização de algo comum e de fundamental
importância, quer seja o ideal da conscientização
ecológica, quer simplesmente uma atividade lúdica e pedagógica
exercida no cotidiano escolar. Muito antes de ecologia virar tema mundial,
a Escola Mutirão já tratava o assunto de modo natural, aliás
como o fazem as civilizações mais antigas do planeta.
Em nossos dias, impossível não notarmos, opera-se
radicalmente toda uma série de transformações em
nossa sociedade, que assiste a uma súbita crise de seus próprios
valores. Os extremos contrastes que rompem nossos horizontes são
sinais de um tempo inédito na história, marcadamente o selo
da transição de milênio na sociedade ocidental que,
sem dúvida, aspira por alguma transcendência metafísica,
haja vista a quantidade de seitas e religiões apocalípticas
que têm proliferado em nosso meio.
Por um lado nos espantam, por exemplo, as conquistas da engenharia
genética, que nos levam a esbarrar no segredo da vida com a decodificação
do código genético humano; ao mesmo tempo, a cibernética,
por meio da robótica, permite ao homem brincar de Criador. Por
outro lado vemos que a natureza humana continua se esquecendo do mais
simples, de viver bem e preservar em equilíbrio seu planeta. Afinal,
cultivar a Terra, em sentido literal e figurado, bem como trazer acesa
dentro de nós a chama do respeito pela vida, são atitudes
que vêm se tornando cada vez mais raras.
De
certa forma, isso é o que permite que atos públicos
de organizações ambientalistas sejam considerados heróicos,
ressaltados que ficam sobre o fundo branco da omissão governamental
frente às questões mais críticas de nosso mundo.
Em verdade, atitudes ecológicas deveriam ser a base de nossa vida
social, como acontece entre os povos andinos, tibetanos, butaneses, e
nações indígenas de toda parte, as quais seguem firmes
em seu propósito de preservação da natureza, hoje
ameaçada pelo progresso desenfreado, por uma economia global decadente
e pelo comportamento imediatista da política planetária.
De fato, ecologia hoje é necessidade premente, questão
de sobrevivência melhor dizendo, e as escolas de modo geral incluem
obrigatoriamente o tema em seus currículos. No Mutirão,
muito antes desta conjuntura, sua pedagogia envolve aspectos inerentes
à vida, como o amor e o respeito por todas as criaturas; e educação,
preservação ecológica e vida saudável são
seus lemas principais.
Quem já assistiu ao filme Horizonte Perdido ou já leu
A Ilha de Aldous Huxley, poderá mais ou menos entender como
funciona seu sistema de ensino e visualizar seu ambiente, com salas de
aulas típicas, em verdade abrigos cercados de verde, piscinas em
meio a bosques, barrancos com crianças correndo, professores todos
vestidos de branco, patos e galinhas soltos em meio à criançada,
e outros ingredientes naturais que tornam seu espaço mágico
e sagrado, como Shangrilá.
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