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Referendado
como o poeta da morte, dos cemitérios, dos ossos e da carne
em putrefação, Augusto dos Anjos, ao contrário
do que muitos imaginam, segreda em sua Obra poética uma filosofia
esotérica libertária, capaz de nos guiar pela senda
da mais pura transcendência. Paraibano, falecido em 1914,
escreve uma poesia contundente de caráter gótico-impressionista.
Sua arte interessa propriamente pelo alto grau de espiritualidade
que nela desponta.
André
Carneiro, cuja obra poética (também sua ficção
científica) acha-se traduzida em mais de trinta idiomas,
foi um dos melhores amigos do célebre Oswald de Andrade.
André continua escrevendo e ativamente participa de resenhas
literárias, tem recebido prêmios importantes e ministra
aulas (oficinas de escrita e literatura) em Curitiba, cidade na
qual passou a residir há alguns anos. André Carneiro
possui ainda em seu currículo uma linda e perigosa história,
perseguido que foi durante a ditadura militar, quando sua cabeça
esteve a prêmio (não faço aqui uma metáfora,
isso deve ser entendido em sua forma literal) por haver favorecido
o grupo que negociou a liberdade de Fernando Gabeira, com sucesso
trocado pelo embaixador alemão sequestrado.
André
Carneiro é ainda o introdutor da Parapsicologia no Brasil,
e sua obra poética bem como sua ficção, ambas
reconhecidas internacionalmente, guardam traços e
influência de Franz Kafka, Jorge Luís Borges, Albert
Camus, e do próprio Augusto dos Anjos.
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Paulo
Urban
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