As
máscaras se revestem de um poder mágico especial;
por meio delas podemos ter acesso ao mundo invisível e,
por isso, não são inócuas. A máscara
e seu usuário se alternam e se mesclam numa só (inter)face;
estabelece-se assim, por intermédio dela, uma ponte onde
supostamente se condensa a força vital capaz de apoderar-se
daquele que se coloca sob sua proteção. Máscaras
são, destarte, instrumentos de possessão. A multiplicidade
de suas formas, que muitas vezes funde numa mesma figura traços
humanos e animais, bem expressa a infinidade de forças
circulantes no universo que, captadas pela máscara, aglutinam-se
de modo a permitir ao ser humano confrontar-se com potências
que jazem dormentes no mundo interior, desconhecido e sombrio.