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(...) Pensamento e linguagem são totalmente permeados
por magia; até mesmo o psicanalista Jacques Lacan (1901-1980)
admitiu isso. O homem pré-histórico percebia em seu
mundo uma fusão incompreensível de fenômenos
sonoros atrelados às suas imagens; ele "via" sons
no correr do regato, no balançar das árvores, no andar
dos bichos, no ribombar das tempestades, nos golpes de luta, no
rolar das pedras, entidades essas que estavam tão vivas quanto
ele próprio. A partir desse universo acústico uma
série de símbolos sonoros pôde ser criada na
tentativa de reproduzir os eventos naturais, o que fez surgir a
linguagem. A antropologia e a semiótica esclarecem: os nomes
dados às coisas pelos homens pré-históricos
revelavam-nas "em si"; declaravam seu verdadeiro som,
seu modo de ser, conforme a natureza era percebida.
Por
meio da linguagem pôde o homem diferenciar-se do meio;
ao nomear as coisas tornou real sua inserção no mundo,
passando a explorá-lo, a partir da porta da caverna, cada
vez com mais amplos horizontes. A formação de conceitos
simbólicos é sempre um ato criativo em sua concepção.
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