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Posts under ‘Sonetos’

Ceninterna

CENINTERNA Scanner, eu me leio em meus aspectos, sou prisma de saudades, fortes ventos, mistura em corpo e n’alma de elementos, um pool de novos sonhos, meus projetos. Sou métron, sou medida e sou momento, invólucro de meus próprios espectros, um drama em labirintos circunspectos, virtuoso em ver pecados no meu centro. Sou varredura em […]

Transformalvo

TRANSFORMALVO Em voo cruza a flecha o seu caminho, parábola em promessa pontiaguda, buscando em seu silêncio, feito um Buda, cravar-se bem no centro de seu ninho. Que a flecha é a mente em foco, é prece muda, é a busca por seu crivo, um crer sozinho, é o Espírito em seu alvo e puro […]

Sala de Autópsia

SALA de AUTÓPSIA “Hic est locus ubi mors gaudet sucurrere vitae” dístico do alemão Carl von Rokitanski (1804-1878), patologista e filósofo humanista. Deitado sobre a pia-altar o mestre, silente em branco mármore oferece-se para a autópsia. Os presentes têm interesse em ver do que é que a morte se reveste. O necrotério, um templo em […]

Cavaleiro Kadosh

CAVALEIRO KADOSH Kadosh(1) Cavaleiro em vigilância, eu vingo De Molay, mestre Templário, combato o fanatismo e seu cenário, também a tirania e a ignorância(2). Sou águia negra e branca em itinerário, no peito a cruz teutônica em fragrância, nela desperta a rosa da constância com que, fiel a mim mesmo, cumpro o horário. Que a […]

Arcanjo Sentido

ARCANJO SENTIDO Viajo por meu corpo, um santuário; sagrados, meus sentidos abrem portas, ensinam-me os segredos das retortas e buscam pelo Graal no relicário. Mergulho dentro em mim por zonas mortas que acordam à luz do scanner itinerário; penetro o coração, este sacrário, e encontro lá um arcanjo de asas tortas, ferido e machucado, encarquilhado: […]

Sonetencantipnótico

SONETENCANTIPNÓTICO (para a alma poetar) Eu peço à poetisa: ‘Poetiza!’ Mas ela a compor versos se recusa, me diz estar sofrendo e inda confusa, que a flama de seus olhos se amortiza. Então lhe rogo o encanto e invoco a musa Calíope, mãe de Orfeu, de bela visa*, suprema dentre as nove e profetiza, a […]

Trappist One

TRAPPIST ONE Sete monges trapistas, planetários cenobitas de estrita observância, em órbita ao redor de estrela-estância constelam-se em ciranda, Era de Aquarius!! De sólida e rochosa vigilância, suscitam dos terráqueos comentários, uns menos, outros mais extraordinários, mas todos de notável relevância: — Terá vida nalgum destes planetas? — Atmosfera, oceano, ou quer que seja? — […]

Arte Mágica

ARTE MÁGICA Baralhos, covilhetes… ágeis dedos, o mágico anuncia o espetáculo e orquestra sua plateia com seu báculo, desafiando a todos seus segredos. Faz truques de vidência e qual oráculo envolve toda gente em seus enredos, faz desaparecer também os medos, convida a transformar todo obstáculo. Casaca com cartola: – Abracadabra! rancores viram rosas, pombas […]

Orvalhágrimas

ORVALHÁGRIMAS (à luz dos Pensamentos de Blaise Pascal, Fragmentos 72, 194, 205 a 208 e 227) Esse silêncio eterno dos espaços infinitos me assombra e me apavora. Quando penso na vida mundo afora é em minha pequenez que me embaraço. Por que se fazem escassos tempo e hora? Por que tão breve a lide em […]

Vox Dei

Conta-se que os deuses tinham por tradição reunir-se em Concílio no Monte Olimpo todo 21 de junho, solstício de verão, quando então, após terem as Musas já cantado e as Cárites dançado, comungando da ambrosia, dos vinhos e de outros néctares psicoativos, entravam em Conclave, passando em revista e discussão suas ações até então cometidas, […]

Da Natureza dos Símbolos

Dia de Reis, sexta-feira, Alan e eu fizemo-nos presentes ao laboratório de mestre Sotero para a preleção preparatória à próxima Iniciação de Grau em nossa Ordem. Fazia tempo não via meu confrade, última vez que ambos estivemos em oração e serviço na casa do mestre era ainda o ano de 2013, quando passamos noite toda […]

Saturno

SATURNO Decifra-me conquanto eu te desfolho: sou eu teus grãos contados da ampulheta, a derradeira foice em silhueta que orbita no limite de teus olhos. Sou mais denso metal, razão secreta por trás da qual, prudente, eu me recolho em passos de eremita à luz de um óleo que queima esta tua vida em dor […]

A Nave Perdida de André Carneiro

 Uma das raridades de minha biblioteca é ‘Diário da Nave Perdida’, Edart, 1963, livro de contos assinado por mestre André Carneiro (1922-2014), personalidade fantástica por si só, maior nome brasileiro no gênero da ficção científica. O exemplar que tenho em mão foi-me dado pelo próprio autor e traz uma encadernação em couro sobre a capa […]

Psikosmicoscópio

PSIKOSMICOSCÓPIO Heróis, Kairós, Kalói, Caleidoscópio… vitais vitrais fractais mandalogramas… imagens se desdobram e dobram em dramas que em prismas se refratam de mim próprio. Num átimo de um átomo de engrama memórias, neurohistórias são-me d’ópio girando girassóis graus de heliotrópio, mirando mirações em sonhorama. São míticas partículas translúcidas, miríade de estrelas em berçário, mil mundos […]

Júpiter

JÚPITER Sou Júpiter dos Raios e Trovões, Regente em Sagitário – Quíron(1) médico – sou Pai Legislador enciclopédico, aquele que governa as gerações. Sou Cura(2) entre os hindus, planeta védico; Deus Indra(3), sorvo o soma aos borbotões, doo vida em tempestades, sou monções. Do Olimpo eu rejo um Cosmos ortopédico, sou bênçãos sobre o berço, […]

NIRVANAMSARA

NIRVANAMSARA Um louco me pediu fino tecido, uma encomenda à qual me debrucei… Teci, teci o mais fino o quanto eu sei, mas nada ao louco fez sequer sentido: — Grosseiro o teu trabalho, não gostei! De novo à tessitura em meu destino me entreguei; teci, assim, outro mais fino, mas inda ele não quis; […]

Mandaleto

MANDALETO Escrevo meus sonetos qual mandalas, quartetos e tercetos, 4 estrofes, são corpos seus quadrantes, 4 cofres, e os versos simples forma de moldá-las. Por eles circum-ambulam Sal e Enxofre, Mercúrio e os vis-metais planetescalas; por eles eu transito as minhas salas que em todo sonetar meu ego sofre. Sonetos são caminhos para dentro, são […]

Marte

MARTE Acompanha-me o cão, também o abutre; sou Marte, porto a guerra, sou Nergal(1); sou lâminas de espada, sou metal, sou tudo o que a Alquimia em ferros nutre. Sou deus em falo impávido e amoral, ousado e inda odiado, mas não futre; viril para que Vênus(2) bem desfrute, reino intrépido além do bem e […]

Lua

LUA A Lua é pura prata dos desejos, é carma d’água, mãe, ventre fecundo, é a fé que faz mover marés e o mundo, são sonhos, quatro fases, quatro beijos. É Chandra(1) , irmão de Surya, taça em punho, Diana(2) em seu crescente de solfejos, Selene(3) em plenilúnio de lampejos, deusa Hécate(4) minguante em testemunho. […]

Vênus

VÊNUS Sou Vênus, Afrodite(1), deusa Ishtar(2), Rainha dos Destinos(3), Mãe dos Mares(4); pastora dos rebanhos estelares, sou Dalvestrela ao céu sozinha a estar. Em Touro(5) eu bem fecundo a terra e os lares, sou ventre dos desejos, luz de amar; sou Vésper do crepúsculo e a arte em dar aos espelhos(6) celestes seus sonhares. Em […]