A grandeza do homem é ser ele uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ser ele uma passagem e não um termo, dizia Zaranietzsche, fitando a multidão.
Emborassombrado, prosseguia: O homem é corda distendida sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar. E mais adiante, após haver discorrido sobre tudo aquilo que mais amava, assim nos confiou o sábio a sua máxima: … é necessário ser um caos dentro de si para dar à luz uma estrela brilhante.
Ele era entre nós um recém-descido da montanha, na qual passara seus últimos dez anos a meditar, no duraconchego de sua caverna e na companhia de sua serpente, de sua águia, e também do Sol, que o visitava todos os dias. E foi assim que, na certezintensa de que o Astro-Rei se afunda nas profundezas do mundo inferior todas as noites, que resolveu Zaranietzsche também descer de sua montanha para falascrever aos homens, no intuito de levar a eles a luz recebida, aquela que lhe inflamara a consciência.
ASSIM FALAVA ZARANIETZSCHE
Todas minhas verdades são sangrentas,
sou andarilho livre sobre a terra;
demasiado humano, o homem erra,
e é corda sobre o abismo em pendulentas.
Dizia Zaranietzsche ao pé da serra,
descido da montanha das tormentas,
na qual passou dez anos de oferendas
à escuridão da gruta em paz e guerra.
Prefiro Dioniso ao belo Apolo,
penetro nos mistérios dos Elêusis,
devoro-me sozinho em solidão;
Na doce embriaguez eu me consolo
e guardo em meu casulo o coração
na pausa do Crepúsculo dos Deuses.
Paulo Urban, Sonetista do Aquarismo

Caro Paulo, mais uma vez, eis que retorno ao site do amigo da alma
e me detenho diante de sua obra poéticofilosófica.
Zaranietzsche arrasa. O peso do morto em suas costas,
à procura da figueira para enterrá-lo.
É sempre um portal o site do amigo da alma.
Gratidão.
abraços.